Cenário ainda é positivo, mas riscos aumentaram, diz Rato

Segundo diretor do FMI, turbulência financeira pode se prolongar e gerar impacto maior do que o esperado

Reuters e Efe,

08 de outubro de 2007 | 10h56

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, afirmou nesta segunda-feira, 8, que ainda está relativamente otimista em relação ao crescimento econômico em 2008, mas os riscos para a economia global são maiores agora do que há seis meses.  A turbulência nos mercados financeiros pode se prolongar e gerar impacto maior do que o inicialmente esperado, e seus efeitos devem ser sentidos em grande parte no próximo ano, afirmou Rato em seminário econômico em Madri.  Além disso, em entrevista veiculada pelo jornal Financial Times nesta segunda, Rato afirmou que a atual crise de crédito obrigará os governos de todo o mundo a introduzirem mudanças substanciais em seus planos orçamentários. Segundo ele, esta é uma "grave crise" que ainda não terminou e que desacelerará o crescimento econômico no mundo todo, por isso os políticos não devem pensar que se limitará a um problema do setor financeiro.Os problemas derivados da crise vão chegar a outros setores, aos orçamentos nacionais, e isto é algo que não se pode deixar "de dizer às pessoas". Seus efeitos serão sentidos "mais rapidamente nos Estados Unidos e até certo ponto na Europa e no Japão, mas todos vão sentir seu impacto em maior ou menor medida", disse. Segundo Rato, possivelmente deve demorar "meses, até o início do próximo ano", para que a liquidez, a disponibilidade do risco e o diferencial de risco voltem aos níveis normais. Dólar Na entrevista, Rato parece compartilhar as preocupações européias com a desvalorização do dólar, tema que poderia resultar em polêmica na cúpula do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados) e na reunião anual do FMI, este mês. Rato afirmou que o dólar está "desvalorizado" segundo muitas das medidas utilizadas pelo FMI para qualificar as divisas. No entanto, o diretor do Fundo acrescenta que a moeda também estava "supervalorizada há alguns anos". Rato adverte, ao mesmo tempo, das conseqüências da excessiva volatilidade nos mercados de divisas. "O que menos precisamos neste momento são movimentos bruscos nos mercados de câmbio", afirmou. Mas a preocupação com a taxa de câmbio entre o euro e o dólar é somente parte de uma história mais complexa, que afeta outras divisas - como o iuane - que estão formal ou informalmente ancoradas na moeda americana e que caem quando esta perde valor. Segundo Rato, por interesse próprio, a China deveria adotar uma taxa de câmbio "mais flexível" que a ajude a conduzir sua economia interna, e isto é cada vez mais necessário. Uma maior flexibilidade chinesa, segundo o diretor do FMI, ajudaria seus vizinhos, dado que muitas economias emergentes, particularmente na Ásia, têm medo de deixar suas moedas se  valorizarem frente ao dólar por medo de perderem sua vantagem comparativa sobre a China. Para ele, é muito importante que o mundo aprenda com a atual crise "sem renunciar à liberalização e à globalização financeiras", porque estas são ações fundamentais para o "êxito da economia mundial". Nova direção Rato, que será substituído no fim do mês pelo francês Dominique Strauss-Kahn, afirmou  que há atualmente um amplo consenso sobre a futura agenda do organismo. Esta inclui a reforma dos acionistas, um novo modelo de ingresso, possivelmente novos instrumentos para a prevenção de crise e um papel central na valorização dos efeitos sobre a economia mundial da taxa de câmbio dos países, assim como de outras políticas econômicas.

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