Mike Segar/Reuters
Mike Segar/Reuters

Cenário-base para Brasil prevê certa continuidade da agenda de reformas, diz Moody's

A perspectiva estável para o rating do País está sujeita à 'claridade sobre a direção da política econômica'

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 15h20

A vice-presidente e analista sênior da Moody's, Samar Maziad, disse nesta terça-feira, 25 que o cenário-base da agência de classificação de risco para o Brasil é "um certo grau de continuidade da agenda de reformas econômicas" para o próximo presidente, que inclui o ajuste fiscal, particularmente nesse campo a reforma da Previdência. A expectativa é de que esta medida avance e seja aprovada pelo novo governo, disse ela a jornalistas, sem especificar uma data.  

A perspectiva "estável" para o rating do Brasil está sujeita à "claridade sobre a direção da política econômica", a habilidade do próximo presidente trabalhar com Congresso e o comprometimento com o ajuste fiscal e resolver a rigidez do Orçamento, disse Samar.

Para o Brasil mudar para a perspectiva "positiva", Samar disse que as coisas terão que sair melhores que o esperado agora. Por exemplo, com um ajuste fiscal mais rápido do que o previsto e o Produto Interno Bruto (PIB) se acelerando para a casa dos 2% a 3% ao ano. "Não acho que isso é iminente", afirmou durante evento.

 

Em sua apresentação durante evento da Moody's com investidores, Samar disse que o PIB brasileiro vem continuamente decepcionando as previsões. Para 2018 inicialmente se previa expansão perto de 3% do PIB, mas o número deve ficar agora na casa de 1,5% este ano e de 2% em 2019, disse ela. A expectativa é de que essa expansão mais fraca continue e a relação entre a dívida pública e o PIB siga em expansão. Pelo lado positivo, a inflação segue benigna, o que não exige aumentos bruscos da Selic para reagir ao câmbio.  

O tamanho da dívida pública e a rigidez do Orçamento são dois problemas enfrentados pelo Brasil que diferencia o país de seus pares que passam por problemas nos mercados emergentes, como a Argentina e a Turquia, afirmou Samar ao falar da onda este ano de aumento da aversão ao risco de mercados emergentes.

Perguntada pelos jornalistas sobre a próxima revisão do rating soberano do Brasil, Samar disse que a equipe da agência de classificação de risco deve vir ao Brasil após a posse do novo presidente, em 2019, para reuniões em Brasília. O período do ano que vem que isso deve ocorrer ainda não está definido, pois vai depender da agenda do próximo governo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.