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Cenário da América Latina piora com inflação e juros, diz FGV

Pesquisa Sondagem Econômica da região mostra que Brasil entra em período de contração do ciclo econômico

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

20 de agosto de 2008 | 08h37

O ambiente econômico mundial está em sua pior fase, com a manutenção da deterioração na América Latina e a entrada do Brasil em um período de contração do ciclo econômico. É o que mostra a Sondagem Econômica da América Latina, feita em parceria do Institute for Economic Research da Universidade de Munique, ou Instituto IFO, com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo as duas instituições, o Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina recuou para 4,6 pontos em julho deste ano, abaixo do resultado anterior da pesquisa trimestral, referente a abril, de 4,9 pontos.    Veja também:2ª prévia de agosto do IGP-M é a menor desde 2006, diz FGV  As entidades consideram que resultados abaixo de cinco pontos nos índices sinalizam "clima ruim". Em comunicado, as instituições esclarecem que "a piora do ICE da América Latina acompanha a tendência mundial". "O ICE do mundo passa de 4,6 para 4,1 pontos entre abril e julho." O ICE da América Latina é construído como uma combinação de dois índices que medem a situação econômica atual e as expectativas para os próximos seis meses. O Índice da Situação Atual (ISA) atingiu patamar de 5,7 pontos em julho, ante 5,8 pontos em abril. O Índice de Expectativas (IE) passou de quatro pontos para 3,4 pontos, de abril para julho. "A piora do ICE está associada, portanto, a uma clara deterioração no Índice de Expectativas (IE)", esclareceram as instituições em comunicado. Ainda segundo o mesmo informe, "as expectativas de aumento da taxa de inflação e de taxas de juros dominam o cenário de todas as regiões", no mundo. Brasil No Brasil, a deterioração nas expectativas em relação à economia para os próximos meses derrubou o ICE na passagem do trimestre encerrado em abril para o de julho, que caiu de 6,5 pontos para 5,5 pontos. No caso do País, o ISA passou de 7,9 pontos para 7,2 pontos. No mesmo período, o IE recuou mais fortemente, caindo de 5,1 pontos para 3,8 pontos. "O resultado do IE abaixo de cinco pontos indica que as condições econômicas para daqui a seis meses são consideradas ruins", informaram as entidades. Entretanto, ao estabelecer um ranking entre 12 países da América Latina, mensurando o resultado dos ICEs das nações latino-americanas, as instituições informam que Uruguai, Peru e Brasil permanecem como líderes no ranking de clima econômico, ocupando respectivamente as primeira, segunda e terceira posições. Em contrapartida, as piores posições são ocupadas por México, Argentina e Equador, que estão em 10º; 11º e 12º lugares no ranking.  Petróleo O relatório afirma ainda que a alta nos preços do petróleo este ano foi percebida com grande preocupação por países de diferentes continentes, e se houver continuidade nesse cenário, isso poderá afetar o atendimento da demanda energética em mercados de várias nações.   De acordo os dados, a manutenção de preços elevados de petróleo e gás natural é percebida como um fator de elevado risco no atendimento da demanda de energia e poderá levar a déficits em conta corrente insustentáveis na Ásia (Coréia do Sul, Taiwan, Tailândia, Índia, Bangladesh e Paquistão), África do Sul, Israel, Turquia e alguns países europeus (Portugal, Grécia, Espanha, Romênia, Bulgária, Croácia, Sérvia-Montenegro e Letônia). Ainda segundo comunicado das duas entidades, os especialistas consultados para análise informaram que o aumento do preço do petróleo estimulará empresas a investirem em tecnologias mais eficientes e "limpas" para a geração de energia. "Essa é uma avaliação destacada nos países da América do Norte, países europeus, Brasil, Chile, Costa Rica, Peru, Japão, Coréia do Sul, China, Taiwan, Tailândia e Filipinas", acrescentaram as organizações, em comunicado. A Sondagem Econômica da América Latina serve ao monitoramento e antecipação de tendências econômicas, com base em informações prestadas trimestralmente por especialistas nas economias de seus respectivos países. A pesquisa é aplicada com a mesma metodologia - simultaneamente - em todos os países da região.Em julho, a sondagem ouviu 117 especialistas em 16 países.

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