Paulo Liebert|Estadão
Paulo Liebert|Estadão

Cenário de incertezas faz importação crescer no País

Risco de desvalorização cambial pode ter causado antecipação de compras; principal alta foi entre veículos e bebidas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2016 | 05h00

A valorização recente do dólar parece ter despertado uma antecipação de compras de bens importados. O País registrou salto de 21,2% nas importações de bens de consumo duráveis e avanço de 13,8% nas de bens de consumo não duráveis em relação a novembro de 2015, segundo o Indicador Mensal da Balança Comercial, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e obtido pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O movimento sinaliza que as importações podem ter aumentado antecipando o risco de uma desvalorização cambial associada às incertezas domésticas e internacionais, na avaliação de Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada do (Ibre/FGV).

“Em novembro, teve um possível efeito da eleição de Trump (Donald Trump, eleito presidente dos Estados Unidos), uma valorização do dólar. Também estamos próximos do Natal. A alta foi, principalmente, de automóveis de passageiros e alimentos e bebidas para consumo doméstico. Existe a expectativa de desvalorização do câmbio e aumento de alíquotas de imposto sobre bebidas”, justificou.

O câmbio teve desvalorização de 3,4% entre outubro e novembro. Entre os bens de maior contribuição em volume no último mês estão automóveis, fertilizantes, medicamentos e alimentos. Também houve alta de 3,7% nas importações de bens de capital. As importações de bens de consumo semiduráveis (-2,6%) e intermediários (-3,0%) mostraram recuo.

Nas exportações, houve aumento de 41,7% no volume de bens de capital no mês de novembro, associado a duas plataformas de petróleo, que somaram US$ 1,9 bilhões. Vendas de bens de consumo duráveis cresceram 24,4%, impulsionadas pelas vendas de automóveis para a Argentina (com 62% do total).

As exportações de bens de consumo semiduráveis tiveram alta de 13,4% ante novembro do ano passado, enquanto os bens intermediários avançaram 1,6%. O volume de bens de consumo não duráveis caíram 7,7%.

No acumulado do ano, todas as categorias tiveram aumento nas exportações: bens de capital (+33,2%), bens duráveis (+27,6%), bens de consumo não duráveis (+3,6%), semiduráveis (+16,4%) e intermediários (+3,2%). Nas importações, só bens de capital (+10,7%) e bens de consumo não duráveis (+3,2%) não caíram. O volume importado de bens de consumo duráveis diminuiu 28%; bens de consumo semiduráveis, -35,9%; e intermediários, -6,3%.

Em novembro, as exportações cresceram 17,5% e as importações recuaram 9,1% ante igual período de 2015, levando a um saldo comercial de US$ 4,8 bilhões. De janeiro a novembro, exportações (-3%) e importações (-22%) caíram na comparação com 2015 e o saldo comercial foi de US$ 43 bilhões.

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