Cenário de mercado para 2011 já prevê possibilidade de alta da Selic, diz BC

Instituição estima que o IPCA fique acima do centro da meta de inflação; no cenário de mercado, ela fica abaixo de 4,5% 

Fábio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 11h17

As projeções no cenário de referência e no cenário de mercado do Relatório Trimestral de Inflação para 2011 são distintas. Na estimativa do Banco Central, a previsão é de que o IPCA fique acima do centro da meta de inflação. No cenário de mercado, a inflação fica abaixo de 4,50%. A diferença, segundo o BC, se deve ao fato que o mercado já embute a possibilidade de aumento da Selic em breve.

 

Diz o trecho do relatório: "Cabe destacar, todavia, o distanciamento entre as trajetórias ao final do período de projeção, o que se deve essencialmente ao fato de o cenário de mercado contemplar expectativas dos analistas de que ocorra elevação da taxa Selic."

 

No cenário de referência, a estimativa do Banco Central para o IPCA é de 4,9%, acima, portanto, do centro de meta de inflação para o ano, de 4,5%. No cenário de referência, o BC leva em conta a manutenção do juro em 8,75% e do câmbio em R$ 1,80 por todo o horizonte da projeção. No cenário de mercado, que usa as estimativas de mercado para a Selic e câmbio, a previsão para o IPCA é de 4,4%. Abaixo, portanto, do centro da meta.

 

Copom já havia definido saída de estímulos monetários em dezembro, diz relatório

 

O Relatório Trimestral de Inflação revelou ainda que o Comitê de Política de Monetária (Copom) em dezembro já tinha definido a necessidade de se estabelecer uma estratégia de saída dos estímulos monetários adotados durante a crise. Segundo o BC, esse cronograma foi sinalizado ao mercado já no relatório de inflação de dezembro e na ata de janeiro. Além disso, o relatório lembra que os participantes do mercado, diante das sinalizações dadas, trabalhavam com expectativa de elevação da taxa Selic a partir de abril, o que foi considerado para a elaboração do cenário de mercado do BC para projetar a inflação.

 

Mas, de acordo com o documento divulgado hoje, os diretores que votaram pela elevação da Selic na reunião do último dia 17 em 0,5 ponto porcentual entenderam que as projeções de inflação e o balanço de riscos considerado justificariam o início de um ajuste na taxa Selic já naquele momento, e "defenderam que a implementação do cronograma original deveria ser antecipada".

 

Por outro lado, a maioria entendeu que o mais prudente seria manter a programação original. "Essa parcela do colegiado ponderou que as projeções de inflação para 2011, segundo o cenário de mercado, posicionavam-se, e a rigor ainda se posicionam, abaixo da meta", informa o relatório - vale lembrar que no cenário de mercado do BC, o IPCA para 2011 deverá ficar em 4,4%.

 

Esses cinco integrantes do Copom - que votaram pela manutenção da Selic nos atuais 8,75% ao ano - também consideraram que já estava em curso o processo de retirada de estímulos monetários, com a alta dos compulsórios, além do fim de estímulos fiscais. "Ademais, no regime de metas para a Inflação, a coordenação de expectativas constitui elemento central e, portanto, a alteração de uma estratégia previamente sinalizada envolveria custos consideráveis. À vista disso, o colegiado decidiu que não haveria elementos suficientes para justificar uma mudança na estratégia de política monetária inicialmente sinalizada", diz o BC.

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