Cenário é de recuperação econômica, diz o Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acredita que os indicadores de nível de atividade divulgados desde outubro confirmam o cenário de recuperação econômica a partir do terceiro trimestre deste ano. É com esse cenário que o Copom vêm trabalhando nos últimos meses, conforme mostra a ata da última reunião do órgão, que está sendo divulgada hoje pelo Banco Central. Durante a reunião do Comitê de novembro, realizada na semana passada, alguns indicadores foram analisados, reforçando essa análise sobre a recuperação da atividade econômica no País. Um dos exemplos citados pelo Copom na ata de sua reunião foi o ritmo de produção industrial, apurado pelo IBGE. "A produção industrial continua em recuperação, com crescimento acumulado de 7% a partir de junho", afirmam os diretores do BC, citando dados da série dessazonalizada do IBGE.Os diretores destacam que o aumento de 4,3% verificado na produção industrial em setembro fez com que o nível do produto industrial voltasse a superar o valor observado em setembro de 2002, fato que não ocorria desde maio. Outro destaque dado pelos diretores foi o crescimento mais generalizado da produção industrial. "A expansão atingiu 17 dos 20 ramos pesquisados e todas as categorias de uso", afirmam os diretores do BC na ata. Essa recuperação evidenciada pelo levantamento feito pelo IBGE também foi corroborada pelos indicadores da CNI, que mostraram aumento das horas trabalhadas e da utilização da capacidade instalada da indústria entre agosto e setembro. "O Copom avalia que, ainda que seja natural haver uma desaceleração no ritmo de recuperação em relação aos valores elevados observados em setembro, a expansão da atividade econômica deverá ter seguimento nos próximos meses", avaliam os diretores do BC. Retomada do consumo Apesar de mais lenta do que o ritmo de produção, o processo de recuperação do consumo no País está se delineando de forma "mais clara", segundo o Copom. Ainda citando dados apurados pelo IBGE, o Copom avaliou na semana passada que o volume de vendas reais do comércio mensal, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, ainda encontra-se abaixo do nível verificado em 2002, embora as quedas observadas venham se reduzindo progressivamente, tendo diminuído de 5,9% em agosto para 2,7% em setembro. "A série dessazonalisada pelo Banco Central mostra que as vendas reais cresceram 0,8% em setembro, comparativamente ao mês anterior", afirmam os diretores do BC na ata divulgada há pouco.Para o Copom, a consolidação da trajetória de recuperação do consumo se dará ao longo dos próximos meses, devido à melhoria das condições de crédito, da recuperação progressiva da renda real - em função dos recentes dissídios salariais - e dos demais resultados observados no mercado de trabalho. "A possibilidade de desconto de empréstimos na folha de pagamentos deverá continuar permitindo a expansão do volume de crédito a custos significativamente mais baixos", avaliam os diretores do BC, segundo mostra a ata da reunião. Em termos de empregos, os integrantes do Copom acreditam que a defasagem entre a melhora nos indicadores de atividade e a queda da taxa de desemprego é "usual" em momentos de recuperação econômica. Isso porque, com a melhora dos indicadores, o número de pessoas procurando emprego aumenta mais rápido do que a ocupação. "No curto prazo, a recuperação do consumo deverá ser sustentada ainda pelo pagamento do décimo-terceiro salário num contexto de expectativas mais favoráveis em relação à economia", afirmam os diretores do BC. Investimento também está em recuperaçãoO Copom também destaca na ata de sua última reunião a evidência de que o investimento no País começa a apresentar sinais de recuperação. "Em setembro, comparativamente a agosto, segundo dados dessazonalisados estimados pelo Banco Central, houve aumento de 11,4% da absorção de bens de capital, que corresponde à soma da produção e das exportações líquidas de bens de capital e constitui um bom indicador de investimento da economia", argumentam os diretores no documento. "Dessa forma, o aumento do investimento reforça a avaliação do Copom apresentada em notas anteriores (atas) de que o crescimento da economia se dará de forma balanceada, sem pressões inflacionárias, com aproveitamento do excesso de capacidade ociosa no período inicial e, posteriormente, com aumento da capacidade instalada", avaliam os diretores do BC. (Retomada mundial sincronizada O Copom acredita que tem aumentado, nos últimos meses, a probabilidade de ocorrência de um cenário de recuperação "sincronizada" da economia mundial. "Com perspectivas favoráveis para as três grandes economias: Estados Unidos, Europa e Japão", afirmam os diretores do BC na ata da reunião de novembro, documento que foi divulgado esta manhã. Além disso, na percepção do Copom, as perspectivas de crescimento para as economias emergentes são "as melhores em vários anos". Para o Comitê, o melhor desempenho da economia mundial permitirá uma combinação de condições adequadas de liquidez internacional com um aumento de demanda pelas exportações brasileiras. "Dessa forma, a recuperação econômica do Brasil em 2004 poderá ocorrer sem pressões mais significativas sobre o balanço de pagamentos e, consequentemente, sobre a taxa de câmbio", avaliam dos diretores.

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