Cenário econômico não muda com correção no IR

A mexida no cálculo do Imposto de Renda, que corrige em 10% a tabela para a pessoa física e, em contrapartida, eleva a contribuição de prestadores de serviços, não deve ter efeito negativo sobre a economia, avalia Humberto Casagrande, analista de investimentos e ex-presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec)."Ao mesmo tempo que prejudica os prestadores de serviço, a correção da tabela para pessoa física injeta recursos no mercado. É um movimento oposto, que não deve afetar o crescimento econômico", afirma Casagrande, entrevistado do programa Conta Corrente, da "Globo News".Mesmo assim, Casagrande criticou a forma como o governo conduz a política tributária. "A política de tributação não deveria visar somente a arrecadação, mas também induzir os setores a investir, além de favorecer a redução da informalidade."Juros, a ressalvaNo geral, o analista acredita que o Brasil manterá o ritmo de crescimento. "O comércio vendeu bem no final de ano. Deveremos ter um movimento de reposição de estoques e remarcação de preços, que manterá a economia em níveis aceitáveis no primeiro trimestre", aponta. Ele só faz uma ressalva quanto às taxas de juros. "Se os juros continuarem a subir muito, poderá aumentar o fluxo de dólar para cá, trazendo problemas para o comércio e agravando a queda da cotação da moeda americana", avaliou.A tendência, na avaliação de Casagrande, é que as vendas para o mercado externo cresçam menos que em 2004. Isso porque, logo no início do ano, o setor exportador conta com o efeito negativo nos preços de commodities, que estão desvantajosos. Além disso, setores que se destacaram no ano passado, como alimentos e siderurgia, já se expandiram bastante e não há muito espaço para crescer este ano. "Mas o bom desempenho das exportações dependerá muito do câmbio. Esta será a grande variável da economia brasileira como um todo", concluiu.

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