Cenário exterior dita juros no Brasil

O cenário internacional deverá ditar o rumo do mercado financeiro no Brasil. A crise Argentina somada à alta do preço do petróleo no mercado internacional, desaceleração econômica nos Estados Unidos e euro desvalorizado está levando a maior parte dos analistas de mercado a um consenso: a taxa de juros no Brasil não deve cair mais este ano.Diante do cenário externo pouco tranquilizador, as opiniões estão baseadas em perspectivas de menor oferta de recursos para financiamentos destinados aos países emergentes, participando deste grupo o Brasil. Além disso, segundo o economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya (BBVA), Octavio de Barros, haverá uma redução no nível de investimentos diretos estrangeiros no País, que financiaram o déficit em conta-corrente este ano. Essa situação, que compromete a entrada de recursos externos no País, deve afetar a taxa de juros básica - Selic. Para o economista do BBVA, além de não cair mais neste ano, a Selic vai demorar a se reduzir no ano que vem e a diminuição será pequena. Ele estima que a taxa de juros fique em média em 15,7% ao ano durante 2001. Hoje está em 16,5% ao ano. Mais otimista se mostra o economista Roberto Macedo, professor da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, o Brasil será afetado pela crise da Argentina e outras variáveis externas. Porém, "o quadro interno é bastante tranquilizador". Para ele, a alta do preço do petróleo e a perspectiva de que a economia norte-americana ainda passe por alguns solavancos geram algum temor. Ele acredita que os investimentos previstos para 2001 serão mantidos.Manutenção dos jurosO economista-chefe do BankBoston considera difícil que o Banco Central volte a subir a taxa de juros nos próximos meses e acredita que a tensão do mercado financeiro no dólar e nos contratos futuros de juros deverá diminuir com a expectativa de que a Argentina melhore. "Estamos esperando que a taxa Selic fique em torno de 16,5% este ano e de 15,20% na média em 2001", diz. A boa notícia, lembra José Antonio Pena é que a inflação brasileira está sob controle e as contas públicas estão bem administradas.Já para o ex-presidente do Banco Central e chefe do Centro de Estudos da Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni, o preço alto do petróleo e o que irá acontecer com a Argentina são duas variáveis determinantes a definição da taxa de juros no Brasil. Ele prevê que sem uma mudança favorável no cenário, a Selic deverá ficar em 16,5% ao ano.

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