Cenário externo justifica rigor na taxa de juros, diz Copom

A ata da última reunião do Copom, que elevou a taxa básica para 19,25% (com aumento de 0,5%), divulgada hoje, afirma que as condições dos mercados internacionais de capitais sofreram uma deterioração desde a última reunião. A ata cita que nos EUA a preocupação do Fed com a adequação dos preços dos títulos norte-americanos de longo prazo provocou a elevação da curva futura de juros desses papéis, com repercussões sobre as economias emergentes. O risco Brasil aumentou, segundo a ata, e acompanhando o movimento observado em várias outras moedas de economias emergentes a taxa de câmbio no Brasil depreciou-se. Diante desse cenário, o comitê manteve sua política de austeridade na avaliação do juro brasileiro.O Copom afirma, no entanto, em sua ata que, apesar da volatilidade verificada nas últimas semanas, "continua atribuindo baixa probabilidade ao cenário de deterioração significativa dos mercados financeiros internacionais em função de mudanças abruptas na condução da política monetária norte-americana". Segundo o documento do BC, a farta disponibilidade de liquidez internacional e a estabilidade dos mercados continuam condicionados ao quadro macroeconômico nos países industrializados, especialmente nos EUA, e a possível resposta da política monetária do Fed.GasolinaA ata informa que, embora a elevação dos preços internacionais do petróleo mantenha os preços internacionais da gasolina acima do praticado no mercado doméstico, a autoridade monetária mantém em seu cenário básico a hipótese de que não haverá reajuste nos preços domésticos dos combustíveis em 2005.Mas a ata assinala que esse quadro representa "um risco maior para a trajetória futura da inflação do que havia sido avaliado na reunião de fevereiro do Copom". Segundo a ata, mesmo não havendo aumento no preço doméstico da gasolina, há efeitos sobre os preços de insumos derivados de petróleo sobre as expectativas dos agentes econômicos.Inflação A ata do Copom afirma ainda que as expectativas para a inflação deste ano "foram pouco sensibilizadas" por fatores que poderiam reduzir as pressões inflacionárias, como a desaceleração do ritmo da economia, a queda nos preços industriais no atacado, a reavaliação das expectativas para a trajetória da taxa de câmbio e a própria "postura mais restritiva de política monetária". O documento cita que a média das expectativas coletadas pela Gerin para o IPCA em 2005 subiram de 5,72% para 5,77% desde a última reunião do Copom.Preços administradosO Copom atribui a persistência das expectativas inflacionárias ao comportamento de alguns preços administrados que subiram acima do previsto, como as tarifas de ônibus urbanos. Outro fator seria a "evolução menos favorável do cenário internacional". Mas o documento observa que a expectativa para os doze meses futuros, e para 2006, permanecem estáveis, "sugerindo que a postura monetária mais restritiva tem evitado que as pressões inflacionárias de curto prazo se propaguem para horizontes mais longos".Cenário de referênciaA ata informa ainda que a houve uma elevação da inflação no cenário de referência, elaborado com base em uma taxa Selic de 18,75% ao ano e taxa de câmbio de R$ 2,70 durante todo o horizonte de projeção. A Ata informa que a inflação nesse cenário ficou acima do objetivo de 5,1% para este ano. A mesma constatação foi feita na ata da reunião anterior, quando o cenário de referência foi elaborado com taxa Selic de 18,25% e câmbio em R$ 2,60. Naquela ata passada, o Banco Central informou que aquela projeção estava "praticamente estável com pequena queda na margem em relação a janeiro, permanecendo contudo acima do objetivo de 5,1% para o ano".

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