Cenário externo pesa e Bolsa começa semana em queda de 3,8%

Alerta da Toyota influencia commodities metálicas; petróleo cai e arrasta ações da Petrobras para baixo

Claudia Violante, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2008 | 18h10

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a penúltima segunda-feira do ano no terreno negativo, influenciada pelas bolsas externas. Um alerta da Toyota acabou pesando sobre as perspectivas de preços de commodities; o petróleo operou em baixa. Assim, a esperada recuperação de fim de mês e ano acabou esquecida, e a Bovespa voltou aos 37 mil pontos.   O principal índice acionário doméstico recuou 3,87%, aos 37.618,50 pontos. Na mínima, atingiu 37.478 pontos (-4,23%) e, na máxima, 39.452 pontos (+0,82%). Com a queda de hoje, os ganhos de dezembro foram reduzidos a 2,80%. Em 2008, a Bolsa acumula queda de 41,12%. Já em ritmo de recesso, o giro financeiro somou apenas R$ 2,521 bilhões. Os dados são preliminares.   Em Wall Street, às 18h15, o Dow Jones caía 1,83% e o S&P 500 operava em baixa de 2,94%. O Nasdaq recuava 3,47%. A principal causa para o pessimismo partiu da Toyota. A montadora japonesa alertou para o primeiro prejuízo de sua história, de US$ 1,68 bilhão no ano fiscal que termina em março.   O aviso fez aflorar as preocupações dos investidores com as montadoras mundiais, em especial as três grandes norte-americanas, que tiveram, na semana passada, uma mão do governo do país para tentarem sair da crise em que se meteram.   Se não conseguirem se safar, as montadoras dos EUA, principalmente GM e Chrysler, as mais problemáticas, podem engrossar as estatísticas de desemprego do país, que tiveram em novembro a maior queda desde dezembro de 1974 com o corte de 533 mil vagas. De olho nessa fragilidade, Barack Obama já está revisando o plano de criação de empregos que pretende lançar quando tomar posse. Agora, somam três milhões o total de vagas que devem ser mantidas ou criadas pela nova proposta.   E é isso o que também assusta os investidores - e puxa as commodities e as ações para baixo: depois de tanta ajuda, o quadro ainda é muito delicado. No caso específico das montadoras, que movimentaram o mercado hoje, a lógica é a de que, com menores vendas de veículos, não será preciso comprar tantas chapas de aço. Logo, com vendas mais fracas, as siderúrgicas também terão que comprar menos minério de ferro. Resultado: Vale ON, -6,31%, PNA, -4,40%, Gerdau PN, -6,66%, Metalúrgica Gerdau de 7,71%, Usiminas PNA, -5,50%, CSN ON, -9,65%.   Petrobras também fechou com quedas respeitáveis, de 6,35% a ação ON e 5,18% a PN, por causa do preço do petróleo em baixa. Na Nymex, o contrato para fevereiro recuou 5,78%, para US$ 39,91. "Na quarta-feira, saem os dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos e o mercado espera números elevados, o que pressiona os preços para baixo", comentou um operador do mercado.   O relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central brasileiro não fez preço na Bovespa. O documento estimou, entre outras coisas, crescimento de 3,2% para o PIB doméstico em 2009.

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