Cenário externo piora e petróleo fica acima de US$ 107

Piora decorre da continuidade de queda do dólar nos mercados internacionais

Da Redação,

10 de março de 2008 | 14h57

O preço do barril do petróleo bate sucessivos recordes nesta segunda-feira, 10. No patamar máximo chegou a US$ 107,77 o barril na Nymex - bolsa eletrônica de Nova York. A piora decorre da continuidade de queda do dólar nos mercados internacionais. Como as commodities são cotadas em dólar, elas procuram preços mais altos para se equilibrar com o novo patamar da moeda e, com isso, não perdem valor real. Veja também:  ESPECIAL: Preço do petróleo em altaEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos   A piora do humor dos investidores tomou conta também das bolsas norte-americanas. O setor financeiro voltou a pressionar, com novas notícias ruins que culminaram com os rumores de insolvência no Bear Stearns. Os temores com a economia norte-americana prevaleceram. O Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York - cai 0,63% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - recua 1,02%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 2,45%, às 14h44. Além disso, o fraco payroll de fevereiro (dados do mercado de trabalho), divulgado na sexta, continuou a repercutir negativamente entre os investidores. O relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA mostrou que a economia norte-americana perdeu 63 mil vagas em fevereiro, a maior queda desde março de 2003. Contra o dólar, o euro atingiu a mínima do dia em US$ 1,5312, depois que o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, afirmou estar preocupado com as atuais oscilações excessivas nos mercados de câmbio. Esse tom pesou no euro, por ter sido considerado mais forte por analistas, em comparação ao utilizado por Trichet na semana passada, quando meramente mencionou que oscilações excessivas no câmbio são indesejáveis.  Entretanto, a moeda européia se recuperou rapidamente e voltou a subir ante o dólar. Para Marc Chandler, estrategista-chefe de câmbio do Brown Brothers Harriman, "a curta duração e a superficialidade do recuo do euro diante da demonstração de preocupação de Trichet hoje sugerem que o mercado não está particularmente preocupado com uma intervenção (no mercado de câmbio) no presente". Para Chandler, o risco de intervenção "ainda é mínimo". Cenário interno Do ponto de vista dos fundamentos domésticos, prevalece a avaliação de que a economia brasileira está indo bem - os dados de inflação divulgados hoje, por exemplo, mostram que os preços estão sob controle - e não justificaria esse sentimento de aversão ao risco. Mas o cenário interno agora está em segundo plano. O medo de que os EUA estejam mesmo em recessão e a crise de confiança no mercado de crédito seguem pautando os negócios, deixando os investidores avessos ao risco. O dólar iniciou a semana retomando a sua correção de alta ante o real e intensificou a valorização na medida que o sinal do exterior se deteriorava com o desenrolar dos negócios. O movimento fez o dólar superar a cotação de R$ 1,70 e chegar à máxima de R$ 1,7080 (+1,42%) no balcão. A mínima no balcão foi de R$ 1,6780. Às 14h53, o dólar valia R$ 1,7070, em alta de 1,37%. Este é o terceiro dia seguido de alta do dólar frente ao real, mas analistas não acreditavam ainda que essa seria o início de um novo ciclo.

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