‘Cenário externo pode atrapalhar a festa em 2017’, diz especialista

Professora do Insper acredita que o cenário político interno, ao contrário de 2016, vai ser mais estável no próximo ano

Entrevista com

Juliana Inhasz, professora de finanças do Insper

Hugo Passarelli, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2017 | 11h29

A diminuição das incertezas no Brasil não torna a vida dos investidores mais fácil neste ano, na opinião da professora da finanças do Insper, Juliana Inhasz. Ela acredita que o cenário interno deve ser mais estável neste ano e que muito da turbulência nos mercados virá do exterior. Leia os principais trechos da entrevista.

Como a sra. enxerga o cenário para os investimentos em 2017?

O Brasil ainda está na área das boas intenções. 2017 deve ser melhor em termos de variação do PIB, com queda menos severa, próxima a zero. O mercado tem se mostrado muito otimista frente às mudanças estruturais que estão sendo anunciadas. Se a reforma da Previdência sair, o mercado de ações deve reagir de forma positiva.

Esse movimento de alta na Bolsa pode se prolongar?

É preciso ver na prática. De nada vai adiantar a reforma sair, a Bolsa indo para 70 mil ou 75 mil pontos, se depois as coisas não saírem como o esperado.

Mas então qual a perspectiva para a Bolsa?

A Bolsa deve continuar operando em nível relativamente elevado, oscilando na faixa entre 60 mil a 70 mil. Mas o cenário externo, com Trump nos EUA, pode atrapalhar um pouco a festa.

Além da Bolsa, a renda fixa foi muito bem neste ano. Isso deve se repetir em 2017?

Vimos um retorno muito alto para a renda fixa e a Bolsa, isso é bem atípico e não deve se repetir. Isso não deve se repetir porque o retorno da Bolsa não deve ser tão alto. Pensando em gerenciar risco, acredito que a renda fixa ainda é um bom investimento. Mas tem a perspectiva de quem apostar em dólar pode ter lucros porque o real deve continuar a se desvalorizar ante a moeda americana.

Por quê?

Muito provavelmente o dólar deve se valorizar em algum momento por conta dessas fugas eventuais de capital dos mercados emergentes. Mas é um mercado que não para amadores, é um mercado de alto risco. Para quem não é da área, melhor ficar na renda fixa porque as taxas vão continuar bem acima da inflação e da poupança. Estamos falando de retornos líquidos na casa de 7% ou 8% ao ano.

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