Cenário externo positivo leva dólar a 4a queda seguida

O tom positivo nos principais mercados internacionais permitiu a quarta baixa seguida do dólar frente ao real nesta terça-feira, levando a moeda norte-americana ao menor patamar em um mês.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

08 de setembro de 2009 | 17h13

Segundo operadores, um movimento de entrada de recursos também colaborou para a baixa nas cotações.

No encerramento, o dólar caía 0,81 por cento, a 1,827 real na venda, menor nível desde 7 de agosto, quando fechou a 1,825 real na venda. Na atual sequência de quedas, a divisa acumula recuo de 4,09 por cento.

"Hoje todos os fatores contribuíram para a queda do dólar: commodities em alta, bolsas em alta, dólar lá fora em baixa. E ainda temos a possibilidade de mais ingressos de recursos com Vale e Santander, entre outras", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Os negócios também foram influenciados pela alta de 4,5 por cento nos preços do petróleo em Nova York. A alta da commodity dava fôlego a empresas ligadas a recursos naturais, o que ajudava a manter os índices de ações norte-americanos e o brasileiro em alta.

Refletindo o cenário de menor aversão a risco, o indicador global do dólar recuava 0,92 por cento, no menor patamar em quase um ano. O ambiente favorável a aplicações em ativos de emergentes permitia o avanço de moedas como o rublo russo, a rúpia indiana e o peso mexicano.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados nesta terça-feira, o superávit comercial brasileiro foi de 480 milhões de dólares na primeira semana de setembro.

Do lado dos prognósticos, a Vale emitiu nesta sessão 1 bilhão de dólares em bônus de 10 anos, segundo fontes de mercado.

Em relatório, a empresa de consultoria em futuros e commodities FCStone do Brasil ponderou, contudo, que o cenário internacional como um todo permanece rodeado de incertezas, com os investidores ainda ansiosos por números que mostrem uma retomada mais firme.

"Dessa forma, o dólar permanece sob pressão de ambos os lados e, enquanto não se definir melhor uma das tendências... o intervalo entre 1,80 real e 1,90 real deve ser respeitado", avaliou a equipe de consultores da empresa.

Pela manhã, o Banco Central informou através do relatório semanal Focus que as instituições financeiras pesquisadas mantiveram as perspectivas para a taxa de câmbio para o final de 2009 e 2010 em 1,85 real.

No mercado local, segundo números disponibilizados no site da BM&FBovespa, o giro interbancário somava 1,7 bilhão de dólares, às 16h25, em operações com liquidação em dois dias (D+2).

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