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Cenário incerto de 2014 aumenta a cautela no varejo

Ao contrário de períodos recentes, consumidor pretende poupar mais e lojas não se arriscam em alongar prazos neste fim ano

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2013 | 02h13

A menos de um mês e meio do Natal, o que se vê, por enquanto, é um comportamento atípico de comerciantes e consumidores. Redes varejistas não alongaram os prazos de pagamento dos financiamentos para que a prestação "se encaixe" no orçamento do brasileiro. Enfatizam, porém, o desconto no pagamento à vista. Esticar prazo e jogar a primeira prestação para o ano seguinte foram práticas comuns recentemente, sobretudo em momentos de juros em alta, como o atual.

O consumidor, por sua vez, aproveitou os feirões de renegociação de dívidas, que ocorreram durante o ano todo. Mas o inadimplente que limpou o nome não tem intenção de cair novamente na farra do consumo. Pesquisas mostram que cresceu significativamente, em relação a anos anteriores, a fatia daqueles que pretendem usar a primeira parcela do 13.º salário para poupar. A intenção de gastar essa renda extra para ir às compras ou quitar dívidas também é menor em relação a 2012. Economistas atribuem a mudança de comportamento de varejistas e consumidores às incertezas que rondam a economia no ano que vem.

"Se não houvesse preocupação dos agentes econômicos em relação a 2014, os prazos de pagamento dos financiamentos já estariam sendo esticados", lembra Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac, associação que reúne executivos de finanças. Mensalmente, a Anefac pesquisa prazos e taxas de juros cobradas do consumidor. Apesar de a taxa média de juros ter subido desde abril e encerrado outubro em 5,56% ao mês, os prazos máximos e médios dos financiamentos ficaram parados nesse período.

Para o economista-chefe da Acrefi, associação que reúne as financeiras, Nicola Tingas, a cautela de consumidores e empresas existe porque há muitas incertezas. Para o consumidor, há, segundo ele, um claro esgotamento do ciclo de crédito. "O poder aquisitivo do brasileiro está restrito", observa.

Inflação e renda. Essa restrição do consumidor, segundo Tingas, é resultado da combinação de vários fatores negativos. "Não existem acréscimos de renda significativos." Nas contas do diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, a massa real de rendimentos, que cresceu 6,6% ao ano entre 2010 e 2012, deve aumentar 2,5% este ano e 1,4% em 2014. Esse é um dos motivos apontados por Silveira para que o comércio não tenha um impulso significativo.

Tingas, da Acrefi, destaca que a inflação pressionada, na casa de 6% ao ano, "come" a renda. Ele acrescenta que, apesar de ter recuado, o nível de endividamento do consumidor ainda é alto e afeta as compras.

Esse cenário de cautela por parte do consumidor já se traduziu em números. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) deste mês com cerca de 2 mil pessoas em cinco regiões do País revela quais são os focos de preocupação dos brasileiros: 73,4% dos entrevistados estão muito preocupados com custo de vida; 63,4% com as dívidas pessoais; e 59,6% com o risco de perder o emprego. Em menor escala aparecem preocupações com a alta do dólar (38,3%) e com o crescimento da economia (44,1%).

Ajuste. Na avaliação de Tingas, da Acrefi, há um ajuste em curso entre consumidores e empresas (indústrias e redes varejistas). Os estoques excessivos acumulados na média da indústria, por exemplo, caíram no mês passado pela primeira vez desde maio, mas ainda são altos em segmentos importantes: indústria mecânica, material de transporte e têxtil, segundo Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV. Na opinião do economista, esta limpeza de estoques, que deve continuar em 2014, deve criar bases mais sólidas para o crescimento em 2015.

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