Cenário melhor favorecerá elétricas, diz secretário do Tesouro

A recuperação dos indicadores econômicos e a melhora da confiança dos investidores no Brasil poderá favorecer as empresas do setor elétrico que obtiveram créditos junto ao BNDES para compensar as perdas registradas com o racionamento de energia de 2001. Na opinião do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, com a recuperação da confiança na economia brasileira, essas empresas poderão securitizar essas dívidas, gerando assim mais recursos para os seus caixas."Com a recomposição da confiança, isso pode ser securitizado, o papel adquire valor de mercado", disse Levy, em entrevista exclusiva à Agência Estado. Os recursos oferecidos pelo BNDES às empresas no ano passado foram repassados pelo Tesouro Nacional. A operação envolveu um volume de cerca de R$ 7 bilhões.Levy ressaltou, entretanto, que apesar de entender que existe uma janela para que essa securitização seja feita, não cabe ao governo, nem ao BNDES, definir o momento para que as empresas façam essa operação. "A decisão é de cada empresa", salientou. "Mas é algo viável."Levy confirmou que o Tesouro já estuda mecanismos que possam ajudar as empresas do setor que não poderão repassar a variação cambial dos últimos 12 meses para as tarifas. "Algo será feito nessa área, uma ajuda para o carregamento desses custos", disse. Ele não soube precisar, no entanto, qual será o valor gasto pelo Tesouro nessa operação.A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse ontem que em dois meses deverá ser liberada a primeira parcela do financiamento do governo para compensar as distribuidoras de energia elétrica pelo adiamento desse repasse da variação cambial para as tarifas. Os recursos do Tesouro deverão ser repassados às empresas pelo BNDES.Levy reiterou que o setor elétrico no País é viável e que o trabalho de Roussef à frente do ministério tem sido exemplar. "Superando os problemas conjunturais e avançando nas questões regulatórias, abre-se um horizonte para as empresas do setor, de uma maneira em que voltaremos a atrair os investidores e bancos", disse. Na avaliação de Levy, a recuperação do consumo de energia é o primeiro sinal de que os problemas conjunturais estão sendo superados. "O papel do governo é o de colocar as coisas de volta nos trilhos", disse.

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