Cenário para 2012 é de crescimento do PIB de 4,5% a 5%, afirma Dilma

Presidente ainda disse que acredita numa inflação sob controle 

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2011 | 12h34

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira, 16, que o cenário para 2012 é de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% a 5%. "A meta é 5%. A meta do Guido (Mantega, ministro da Fazenda) é 5%, de toda a área econômica é de 5%.

"Tenho certeza que a inflação fica sob controle e manterá a trajetória de curva descendente suave", afirmou hoje a presidente, em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto.

As expectativas da presidente e da equipe econômica estão bem acima das projeções do mercado. Segundo o boletim Focus, divulgado na última segunda, 12, a mediana das expectativas para a expansão do PIB no próximo ano recuou de 3,48% para 3,40%, ante os 3,50% registrados quatro semanas antes.

Ao contrário das declarações recentes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a economia brasileira ainda não voltou a crescer após o fraco resultado do PIB do 3º trimestre. Na quarta, o Banco Central (BC) divulgou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de antecedente do PIB, que mostrou queda de 0,32% em outubro perante setembro, na série com ajuste sazonal.

Outubro foi o terceiro mês seguido de queda na atividade. A última vez que o BC registrou igual desempenho foi em dezembro de 2008, no auge da crise financeira.

Crédito

Dilma disse, em café da manhã com jornalistas, que o Brasil está em uma situação melhor para enfrentar a crise no atual momento "porque temos recursos próprios. Temos mais do antes". A presidente informou que o Brasil aprendeu muito com a crise de 2009 e comentou críticas que o governo vem recebendo de que poderia enfrentar problemas no crédito. "Dizem que vamos ter problemas de crédito", disse a presidente, explicando, no entanto, que o Brasil tem usado crédito para enfrentar a crise.

"Passamos de R$ 400 bilhões para quase R$ 2 trilhões. Na verdade, foram quase R$ 1,94 trilhão e nós não recorremos ao orçamento", disse a presidente, lembrando que o governo tem instrumentos com o alto volume de depósitos compulsórios. "Temos margem de manobra na política monetária", reagiu a presidente. "Temos capacidade de investimento, tanto do ponto de vista do governo, quanto da iniciativa privada", declarou.

Ao falar sobre cada um dos setores da economia, a presidente Dilma destacou o empreendedorismo do brasileiro e disse que o Brasil tem uma indústria. "Ela não foi sucateada", afirmou, lembrando que "algumas estão intactas e a outras apenas falta um elo. Outras empresas terão de progressivamente agregar valor". "Este governo tem uma política industrial", ressaltou.

A presidente Dilma disse, ainda, que o mercado brasileiro não tem de ser necessariamente fechado. "Uma parte do mercado tem de estar aberto para não criar feudos que são ineficazes e ineficientes", afirmou. "Temos de olhar a crise como oportunidade para acelerar o nosso crescimento. Confio muito na iniciativa privada", disse.

Reajuste

A presidente também afirmou que o aumento dos salários do Judiciário "é uma questão do Congresso". A presidente justificou, ainda, que o País ficaria fragilizado se tivesse uma política de gastos sem controle. Por isso, disse que "não é hora de dar reajuste a ninguém", em referência ao aumentos salariais do funcionalismo público. "Não coaduna com o momento. Ninguém é melhor do que ninguém", defendeu.

Questionada se o dinheiro para o reajuste não sairiam de uma mesma fonte do Tesouro Nacional e que o governo não teria como impedir que fosse concedido, a presidente evitou polemizar, falando que não faz análises sobre outros poderes. "Não compete a um presidente fazer isso", disse. Dilma ressalvou, no entanto "que não é crime pedir aumento salarial. É algo que as categorias podem pedir".

Tudo o que sabemos sobre:
pibbrasileconomiadilma. mantega

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.