CENÁRIO: PMDB comandou a Eletrobrás em todo o período do governo PT

No Ministério de Minas e Energia, o PMDB fez-se uma espécie de feitor do setor elétrico desde o terceiro ano do primeiro governo de Lula

João Domingos, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 05h00

Em abril de 2004, com um ano e três meses de governo, o então presidente Lula concluiu que precisava de uma aliança com partidos do centro para governar. O maior deles, o PMDB, poderia ser cooptado, desde que o petista estivesse disposto a pagar um preço alto, o controle quase total do setor elétrico, em especial da Eletrobrás e postos importantes em suas subsidiárias.

Lula aceitou. E teria dito, segundo relato de governistas: “O companheiro Pinguelli (o físico nuclear Luiz Pinguelli Rosa, militante petista, primeiro presidente da estatal no governo PT) que me perdoe, mas ele não tem um único voto no Senado”. Logo depois, Lula nomeou Silas Rondeau para a Eletrobrás, indicado pelo então presidente do Senado, José Sarney. Um ano depois, Rondeau seria nomeado ministro de Minas e Energia, no lugar de Dilma Rousseff, que foi para a Casa Civil na vaga de José Dirceu, abatido pelo Mensalão. Desde então, em todo o governo petista o PMDB teve o comando das Minas e Energia e da Eletrobrás. Rondeau caiu em 2007, na Operação Navalha, da Polícia Federal. Sarney indicou então o senador Edison Lobão (MA), que ficou no cargo nos governos Lula e Dilma. Sua nomeação exigiu uma engenharia política. Quando o cargo de ministro vagou, Lobão era do PFL, hoje DEM. Seu partido fazia feroz oposição ao PT e assim se manteve até o impeachment de Dilma. O jeito foi filiar Lobão às pressas no PMDB.

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No Ministério de Minas e Energia, o PMDB fez-se uma espécie de feitor do setor elétrico desde o terceiro ano do primeiro governo de Lula, por também exercer o controle da Eletrobrás. As subsidiárias foram divididas por regiões. No Norte, políticos do PMDB, como Jader Barbalho, e do PT, como o então ministro Antonio Palocci dividiam a Eletronorte. No Nordeste, diretorias da Chesf eram divididas entre o PMDB, o PSB de Eduardo Campos, o PT, e o PP de Ciro Nogueira. Quando Campos rompeu com o PT, em 2013, seus aliados foram demitidos e Dilma nomeou indicados do PT e do PP.

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No Sudeste e Centro-Oeste Furnas ficava a cargo do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso. No Sul, o domínio era do PT de Santa Catarina. Itaipu foi entregue ao petista Jorge Samek. Eleito deputado federal em 2002, ele renunciou para ficar com um salário maior em Itaipu, que presidiu até depois da saída de Dilma até dar lugar a Luiz Fernando Viana, indicado pelo governador tucano Beto Richa. O restante da diretoria foi dividida entre PMDB, PPS, PR e PSD.

 

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