Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Cenário político pesa e Bovespa fecha em baixa de mais de 2%

Em meio aos riscos para a governabilidade de Michel Temer e a aprovação das reformas econômicas, apenas sete ações conseguiram terminar no azul

Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2016 | 18h57

A Bovespa aprofundou as perdas para mais de 2% durante a tarde e quase perdeu os 59 mil pontos, em meio ao agravamento das tensões no cenário político. Apenas sete ações conseguiram terminar no azul a segunda-feira, marcada pelo aumento dos riscos para a governabilidade de Michel Temer e a aprovação das reformas econômicas. O Ibovespa fechou em queda, a terceira consecutiva, de 2,19%, aos 59.178,61 pontos. Na mínima, caiu 2,42%, a 59.034,94 pontos e na máxima subiu 0,03%, para 60.516,60 pontos. Em dezembro acumula perdas de 4,41%. Em 2016, a Bolsa sobe 36,52%.

O mercado amanheceu ruim, mas piorou à tarde depois da informação de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob acusação de corrupção passiva pelo recebimento de R$ 800 mil, em 2009, na Operação Lava Jato. A notícia agravou as preocupações com o cenário político que já colocavam a Bolsa no vermelho desde cedo, em função dos vazamentos do conteúdo da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho citando o presidente Michel Temer, que teria pedido R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014. 

Além disso, Melo Filho citou uma lista de políticos beneficiados por esquema de pagamentos: o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário Moreira Franco, além dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia.

Embora acredite que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto dos Gastos amanhã, no Senado, em segundo turno, esteja assegurada, o mercado teme pela governabilidade de curto prazo em razão da avalanche de notícias negativas e não descarta a possibilidade de Temer não conseguir terminar o mandato.

O setor financeiro foi um dos mais castigados. Itaú Unibanco PN caiu 4,13% e Banco do Brasil ON fechou em queda de 4,77%. Metalúrgica Gerdau PN (-8,84%) e Gerdau PN (-5,83%) lideraram as maiores baixas do Ibovespa. Vale, mesmo diante da alta de 4% no preço do minério, também terminou em baixa, de 1,21% (PNA) e 0,41% (ON).

Petrobrás operou em alta, graças ao petróleo, cujo barril chegou a subir mais de 4% ao longo do dia, para fechar com alta de 2,58%. O desempenho foi garantido pelo fechamento, no final de semana, de um acordo da Opep com 11 produtores de fora do cartel para reduzir a produção. As ações ON chegaram a flertar com o campo negativo perto do término do pregão, enquanto a PN reduziu bastante a alta, mas já nos ajustes se recuperaram. Petrobrás ON avançou 0,88% e a PN, +0,13%.

Dólar. O câmbio doméstico passou por uma sessão de contrastes nesta segunda-feira. Depois de avançar aos R$ 3,4076 (+1,08%) pela manhã, o dólar à vista recuou à mínima de R$ 3,3368 (-1,02%) no começo da tarde. A inversão foi decorrente de um alinhamento doméstico à baixa generalizada da divisa norte-americana no exterior, somado à entrada de recursos no País. No entanto, assim como prevaleceu na alta pela manhã, a tensão política no Brasil evitou uma queda mais acentuada da divisa norte-americana no fechamento. O dólar encerrou em baixa de 0,72%, aos R$ 3,3470, revertendo quase plenamente a alta de 0,73% na abertura (R$ 3,3958). 

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