Cenários possíveis após o rebaixamento do Brasil

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O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2015 | 22h00

O susto com o rebaixamento leva ao consenso

O susto com a perda do grau de investimento na S&P e o temor do rebaixamento por outras agências aciona o senso de responsabilidade do governo, do Congresso e dos empresários. Todos decidem negociar e ceder. O governo retoma a discussão do orçamento e corta na carne para dar o exemplo: reestrutura ministérios, extingue cargos de comissão, revê benefícios e auxílios a todos os poderes. Há aumento de carga tributária no curto prazo, mas, ao mesmo tempo, tem início um conjunto de reformas estruturais que vão aliviar o peso do Estado e permitir que lá na frente os impostos sejam reduzidos. Por um lado, serão revistos as regras de concessão de benefícios sociais, principalmente as da aposentadoria. Por outro, haverá uma reorganização da máquina pública para torná-la mais enxuta e eficiente. O ano de 2015 se encerraria com recessão, mas ela seria mais branda e abriria espaço para a retomada dos investimentos e da confiança, permitindo que o Brasil registrasse um leve crescimento já em 2016. Este cenário, porém, é considerado remoto. 

O pior

Crise se aprofunda e País entre numa “argentinização” 

O Brasil perde o grau de investimento nas duas outras agências de risco, Moody’s e Fitch, e entra numa espiral de deterioração econômica e política. O governo interpreta a ação como um gesto de perseguição das agências e do mercado. Alegando não querer penalizar a sociedade e retomar o crescimento, abandona o ajuste. A permanência do ministro Joaquim Levy na Fazenda perde o sentido e ele deixa o cargo. A nova política resgata parte das medidas do primeiro mandato de Dilma Rousseff - subsídios, desonerações pontuais, incentivo ao crédito, controle de tarifas. As contas públicas passariam a ter déficits crescentes, haveria fuga de capitais, o dólar dispara, com efeitos sobre a inflação, o que obrigaria o Banco Central a elevar os juros para atrair capital especulativo. A recessão se aprofundaria, o desemprego aumentaria. Neste ambiente, uma crise política seria inevitável e poderia deflagrar o impeachment. Na definição dos economistas que ajudaram a traçar o cenário, o Brasil sofreria uma espécie de “argentinização”. 


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