Cenibra vai triplicar número de funcionários

Empresa vai contratar terceirizados em sua operação de florestas, com o objetivo de reduzir em até 10% o custo com matéria-prima

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h18

Em um ano, o número de funcionários da Cenibra, de papel e celulose, irá passar de 1,5 mil para 5 mil. A empresa fará até o fim do ano que vem o caminho contrário de muitas empresas que terceirizam para diminuir custos. Boa parte dos 6 mil funcionários de empresas prestadoras de serviços que atuam em atividades florestais serão contratados.

Com isso, a companhia quer diminuir de 8% a 10% o custo da madeira entregue à fábrica de celulose. "Essa a redução de custo pode ser até maior se considerarmos o potencial ganho de produtividade do trabalhador", diz o diretor presidente da empresa, Paulo Brant.

A projeção, entretanto, é considerada preliminar e o resultado final pode superar esses números, na avaliação de Brant. Para ele, a relação mais estreita entre funcionários e empresa e a expectativa de menor rotatividade de trabalhadores poderia levar a esse esperado ganho adicional de produtividade.

O executivo da companhia sediada em Belo Oriente (MG) e controlada pelo grupo asiático Japan Brazil Paper (JBP) diz que dois terços do custo variável relativo à produção de celulose estão associados ao preço da madeira entregue à fábrica. O custo da matéria-prima inclui os valores gastos na produção, colheita e transporte da madeira, entre outros fatores.

Feito à mão. É justamente no custo da madeira que consome que a Cenibra apresentava menor competitividade em relação a concorrentes do setor. "No caso da colheita, cerca de 35% da atividade era manual, enquanto outras empresas têm 100% da colheita mecanizada", comparou o executivo, em referência à Veracel, joint venture entre a Fibria e a sueco-finlandesa Stora Enso considerada referência na produção de celulose.

Para reverter a situação, a Cenibra investirá aproximadamente US$ 40 milhões na compra de equipamentos e passará a contar com praticamente 100% da colheita mecanizada, o que reduzirá a necessidade de mão de obra para este fim. Já na atividade de silvicultura, o processo é o contrário. A estratégia é a internalização de terceirizados, que deve ser concluída até o fim de 2013.

A iniciativa não tem relação direta com a decisão do governo federal de desonerar a folha de pagamento para a indústria de papel e celulose, segundo Brant. Ele diz que a redução dos custos com impostos com mão de obra já era comentada nos bastidores do setor. "A conversa sobre desoneração da folha está ocorrendo há algum tempo, mas o processo de internalização (de trabalhadores) era prioritário por questões de custo", afirmou o executivo. "Mas, evidentemente, a desoneração tornou a medida mais vantajosa", complementa.

A redução do custo de madeira é considerada prioritária na Cenibra. "Se pensarmos em um possível projeto de expansão da fábrica, esse ganho de competitividade passa a ser estratégico", afirmou. A empresa tem planos para duplicação da Cenibra. Esse projeto, porém, esbarra na postura brasileira de restringir a compra de terras por empresas estrangeiras.

A Cenibra tem capacidade para fabricar 1,2 milhão de toneladas anuais de celulose e destina mais de 40% da produção para a Ásia. Fundada em 1973 a partir de uma parceria entre a mineradora Vale e a JBP, a companhia mineira é controlada desde 2001 pelo grupo composto por fabricantes japoneses de papel, e também pela Itochu Corporation e pelo Japan Bank of International Corporation.

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