Centrais lançam movimento por redução de jornada na 2ªf

Na próxima segunda-feira, as principais centrais sindicais do País - Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e União Geral dos Trabalhadores (UGT) - se reúnem no centro da capital paulista para lançar um movimento pela redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais, sem diminuição de salários.Cerca de 100 mil trabalhadores devem paralisar suas atividades por duas horas em 31 municípios do Estado, na capital e no interior, em apoio à mobilização. O objetivo é coletar cerca de 1,5 milhão de assinaturas, quantidade necessária para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular sobre a proposta ao Congresso no início de 2009. Os trabalhadores defendem uma discussão entre trabalhadores, empresários e governo em um fórum a ser instalado.Os trabalhadores argumentam que a redução da jornada semanal sem diminuição de salários não gera custos adicionais devido aos avanços tecnológicos, que possibilitaram que a produtividade aumentasse 150% nos últimos 15 anos, enquanto que, no mesmo período, o poder de compra dos trabalhadores se manteve e a quantidade de pessoas empregadas diminuiu consideravelmente."A tecnologia é para o bem da humanidade como um todo ou para a concentração de renda de alguns?", questiona um dos líderes do movimento na direção nacional da CUT, Aparecido Donizete da Silva, coordenador da Confederação Nacional dos Químicos. Silva cita ainda que o fim das horas extras possibilitaria a contratação de novos empregados sem aumento de gastos. Para as centrais, os trabalhadores precisam ter mais tempo disponível para se dedicar a treinamento, qualificação, lazer e saúde.EmpresáriosJá os empresários são contra as mudanças e sugerem que a proposta é um aumento salarial disfarçado. Para eles, qualquer redução na jornada de trabalho passa necessariamente por uma diminuição salarial, e uma paralisação de atividades para apoiar a proposta é considerada inaceitável."Isso é um aumento camuflado. Somos contra, porque aumenta o custo das empresas, diminui a competitividade e não traz benefícios reais ao trabalhador", critica o diretor do Departamento Sindical da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Della Manna. A indústria defende que não há como discutir o assunto sem antes aprovar as reformas trabalhista e sindical no Congresso. O diretor diz ainda que a produtividade da indústria brasileira precisa aumentar ainda mais para fazer frente aos baixos preços dos produtos importados.Novos empregosDivergências à parte, ao menos em um ponto tanto trabalhadores quanto empresários concordam. É improvável que a redução da jornada de trabalho gere uma quantidade significativa de novos empregos. "Novos empregos serão gerados, mas não serão suficientes para acabar com o desemprego no País", admite Silva. Della Manna cita que a redução da jornada de 48 horas semanais para 44 horas semanais, conforme estabeleceu a Constituição de 1988, não resultou em uma explosão na geração de empregos.Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (uma queda de 9,09%) poderia gerar 2,25 milhões de novos postos de trabalhos no País. Somente o fim das horas extras poderia gerar outros 1,2 milhão de empregos, assegura o órgão - sem considerar a redução da jornada.

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