Centrais querem taxa para o aço importado

Sindicalistas pedem a Lula imposto de 14% sobre produto estrangeiro

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Patrões e empregados do setor siderúrgico se uniram para pedir que o governo proteja a indústria do aço. Representantes da Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) endereçaram ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do chefe do gabinete, Gilberto Carvalho, uma carta que pede a criação de imposto de importação para o aço. O objetivo é resguardar a indústria e estancar as demissões.Na carta, as centrais pedem que os produtos siderúrgicos sejam excluídos da Lista de Exceções da Tarifa Externa Comum (TEC) e passe a vigorar a alíquota de importação entre 12% e 14%, de acordo com o tipo de aço trazido do exterior.Logo depois da reunião com Carvalho, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, da Força, se encontrou rapidamente com Lula, em uma solenidade. O presidente, segundo um dos presentes, não escondeu o descontentamento com as demissões na Usiminas e teria reclamado da empresa que, segundo ele, lucrou muito e não precisaria fazer um corte tão profundo.Segundo Paulinho, o presidente pediu 48 horas ou, no máximo, até segunda-feira para resolver o problema do aço importado, sem se comprometer em atender integralmente à reivindicação. Como o tema envolve tributação, terá de ser discutido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.Lula comentou com o sindicalista que um benefício ao setor só seria viável se houvesse a garantia de não demissão. "É o que nós, das centrais, queremos dos patrões. Sem esse compromisso, fica difícil fechar um acordo", diz Paulinho. Ainda segundo o presidente da Força, não se trata de um atitude protecionista, uma forma de evitar "que os empregos migrem para a China ou a Europa".Não é de hoje que o aumento das importações de aço tira o sono de patrões e empregados. A queixa sobre os crescentes embarques foi além dos corredores do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) no início do ano. A entidade tentou uma articulação malsucedida com o governo para barrar as importações da China e da Ucrânia. Há um mês, mudou de estratégia e chamou as centrais para engrossar o coro. De janeiro a abril, segundo o IBS, a produção brasileira de aço caiu 41,7% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2008. As exportações diminuíram quase na mesma proporção: 40,2%. Já as importações subiram 28%, de 695,3 mil toneladas para 710,7 mil toneladas. O presidente Lula preferiu não discutir o assunto antes da viagem à China. Mas agora, com a união entre empresários e centrais, uma ação para conter os embarques para o Brasil deve ser inevitável.

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