Centrais rechaçam convite de Pimentel para discutir política industrial

Lideranças sindicais dizem que reunião foi marcada horas antes do anúncio das novas medidas de fomento à indústria nacional; expectativa é de que a presidente adie anúncio

Agência Estado,

29 de julho de 2011 | 16h17

Os dirigentes da Força Sindical, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) divulgaram nesta sexta-feira, 29, nota à imprensa na qual rechaçavam o convite feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, para discutir a nova política industrial do governo federal.

No texto, as lideranças sindicais ressaltam que a  A expectativa, contudo, é de que a presidente Dilma Rousseff adie o anúncio, decisão que deve ser tomada amanhã (dia 30), em encontro com ministros no Palácio da Alvorada.

O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Francisco Canindé Pegado, afirma que, nos últimos meses, as centrais sindicais se reuniram com o governo federal, mas que o assunto não foi abordado durante os encontros, apesar da demanda das entidades. "Essa convocação é praticamente para aplaudir a iniciativa. Isso nós não concordamos. Nós queremos propor medidas", afirma o dirigente da UGT, segundo o qual o "equívoco" de não convocar antes as entidades sindicais foi da equipe econômica do governo federal.

"A presidente Dilma Rousseff foi muito sensível, inclusive pedindo um exame imediato, quando foi informada da gravidade da invasão de produtos chineses no Brasil", elogiou. "O equívoco foi da equipe econômica, que não deu a atenção devida aos interlocutores sindicais. Dessa vez, a equipe econômica derrapou", criticou.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, avalia também que a reunião foi marcada muito próxima do horário do anúncio, o que impede as entidades de debaterem de maneira efetiva a nova política industrial. "É pouco tempo", afirma. "O que o movimento sindical quer é discutir as questões gerais, como interlocutores sociais", acrescentou. O dirigente sindical opinou ainda que seria positivo se a presidente Dilma adiasse o anúncio das medidas.

Na nota, as centrais sindicais ressaltam que a necessidade de uma política industrial vem sendo discutida há meses com as entidades empresariais. "Só no mês passado, 58 mil empregos foram perdidos na indústria brasileira, segundo o Dieese. Os empresários brasileiros da área de calçados, têxteis e até da fabricação de ônibus estão transferindo suas fábricas para a Ásia, gerando empregos lá, e não aqui", destaca a nota.

"Diante deste quadro, não nos parece adequado que as centrais sindicais e os empresários sejam chamados agora, de surpresa, apenas para tomar conhecimento e aplaudir medidas que desconhecem", acrescenta. As centrais sindicais salientam ainda que estarão sempre prontas para conversar com o governo federal e apelam à presidente para que o diálogo com as entidades se torne "uma prática constante".

Resposta

Nesta sexta, Pimentel informou à Agência Estado que a nova política industrial "provavelmente" será anunciada no dia 2, próxima terça-feira. Segundo ele, as discussões avançaram hoje durante a reunião com a presidente Dilma Rousseff e os ministros da Fazenda, Guido Mantega; da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante; e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, da qual Pimentel também participou.

Pimentel confirmou que a definição sobre o volume das desonerações tributárias é uma das dificuldades para o fechamento das propostas. O ministro disse que é preciso ajustar as medidas ao espaço fiscal. Mas, além disso, destacou que a proposta de política industrial traz medidas novas que o governo ainda está discutindo como operacionalizar.

Pimentel não quis antecipar as medidas inéditas e informou que a criação de um banco de fomento ao comércio exterior nos moldes de um Eximbank ficará para um segundo momento.

(Texto atualizado às 16h52)

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