Centrais sindicais cobram reação na área econômica

As duas principais centrais sindicais do País, CUT e Força Sindical, culparam à política econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pela PIB negativo de 0,2% em 2003 e o aumento do desemprego em janeiro, indicadores anunciados hoje pelo IBGE. "Decréscimo da economia, aumento do desemprego e diminuição da massa de salários são questões inaceitáveis", disse o secretário-geral da CUT, João Felício. Para o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, "a situação econômica do País é desastrosa". Os dois sindicalistas culpam o superávit primário de 4,25% acertado com o FMI e alta taxa de juros pela retração da economia.A CUT promete realizar em abril um seminário e uma mobilização nacional para cobrar do governo políticas de estímulo ao emprego e aumento da renda. João Felício lembrou que as centrais recomendaram no ano ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) uma renegociação com o FMI para diminuir o superávit primário e a expansão dos investimentos estatais em infra-estrutura, além da aceleração de políticas setoriais para incentivar o ingresso de investimentos produtivos. "Passou da hora de estendermos o exemplo extraordinário que conseguimos na agricultura para outros setores: construção civil, saneamento básico, automotivo, eletroeletrônico. Temos que acelerar a política industrial", disse.Para Paulinho, por ter sido "surdo" e mostrado que o CDES "não vale nada", cabe agora ao governo adotar medidas mais drásticas para garantir o crescimento da economia. "Faz muito tempo que não via uma situação como essa e, como estamos no fundo do poço, só resta ao governo renegociar com o FMI e reduzir o superávit primário para, no máximo, 3% do PIB", disse. "O presidente Lula se tornou o presidente esquerdista favorito do FMI, ao adotar política econômica mais conservadora do que o pessoal da direita".

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