Centrais sindicais condenam alta da Selic

A Força Sindical criticou nesta quarta-feira, em nota oficial, a elevação da Taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "A política de corte das taxas de juros implementada pelo Banco Central desde agosto de 2011, que reduziu a taxa Selic para 7,25%, tem provocado fortes reações daqueles que vivem da especulação e do ganho financeiro. Com a justificativa de trazer a inflação para o centro da meta, foi colocada em marcha uma violenta campanha orientada a pressionar o Conselho de Política Monetária a elevar a taxa básica de juros, permitindo, assim, a recomposição das expectativas do mercado e a reposição dos ganhos especulativos", diz a nota.

EQUIPE AE, Agencia Estado

17 de abril de 2013 | 21h05

Na avaliação da Força Sindical, nos próximos meses a inflação deverá manter sua trajetória de queda. "O IPCA de janeiro foi de 0,86%, o de fevereiro de 0,6% e o de março 0,47%. O desempenho da economia nacional, que vem patinando, não incentiva qualquer aposta no crescimento do consumo como vetor de pressão sobre os índices de inflação", diz a Força Sindical.

"Ao contrário da pregação dos rentistas, os trabalhadores consideram fundamental que o Comitê de Política Monetária continue perseguindo a meta de fazer a taxa de juros brasileira convergir com a praticada internacionalmente, o que exige cortes na taxa Selic e não seu aumento. Lutamos para que o Banco Central, na definição da política de juros, estabeleça metas de crescimento econômico e de emprego, indicadores que serão seriamente afetados caso prevaleça a concepção dos rentistas e do sistema financeiro no atual debate sobre os limites da inflação", complementa o comunicado da Força Sindical.

Contraf-CUT

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) disse que o "terrorismo" do mercado financeiro "forçou" o Copom a aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 7,5% ao ano. "A medida vem na contramão do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) com desenvolvimento econômico e social", disse o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, em nota.

De acordo com Cordeiro, o BC errou ao retroceder no caminho da redução da Selic. "Essa decisão somente agrada aos rentistas e especuladores do mercado financeiro e não ajuda a estimular o crescimento, a expansão do crédito, o fortalecimento da produção e do consumo e a geração de empregos", disse Cordeiro, lamentando ainda o fato de que a elevação da Selic, segundo ele, trava a queda do spread bancário.

Lembrando que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, Cordeiro disse que "está mais do que na hora de o Banco Central, além das metas de inflação, definir também metas sociais, como o aumento do emprego e da renda dos trabalhadores e a redução das desigualdades sociais do País."

UGT

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, também criticou a alta da Selic, classificando-a como "um grande equívoco". "A decisão tem como objetivo conter o consumo e, consequentemente, impedir que a inflação continue em alta, mas vai penalizar os trabalhadores que podem perder seus empregos e inibir o crescimento do PIB", disse ele, em nota.

Segundo Patah, a decisão é "mais uma demonstração da política econômica equivocada e uma tentativa de conter a inflação por decreto". De acordo com ele, a medida tomada pelo BC coloca o movimento sindical em alerta. "Conter a inflação sim. À custa de nossos empregos não."

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