Centrais sindicais criticam declarações de Lula sobre CLT

As três maiores centrais sindicais do País - Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) - consideraram hoje "inoportunas e inadequadas" as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dadas na noite de quarta-feira em encontro com 16 jornalistas e publicadas hoje pelos jornais, nas quais ele defende a flexibilização das leis trabalhistas, admitindo o fim da multa de 40% sobre o FGTS e do abono de férias (1/3 do salário). "Tal reforma deve ser feita para ampliar, não para retirar direitos de trabalhadores", manifestam as três entidades representativas na nota de "estranheza e preocupação" com as declarações de Lula que vão protocolar às 11h30, no Palácio do Planalto. "As palavras do presidente da República sobre flexibilização da legislação trabalhista, principalmente num momento de reduzida atividade econômica, alto desemprego e queda de renda, não só são inoportunas e inadequadas, como podem comprometer os avanços obtidos até agora nos acordos para reforma sindical", manifesta o documento.As centrais alertam que a discussão da reforma trabalhista só deve ter início em 2005, após o término da reforma sindical, hoje em discussão no Fórum Nacional do Trabalho (FNT), "onde se discutem a organização sindical no local de trabalho e novas formas de resolução de conflitos e contratos coletivos nacionais, assim como a legalização das centrais sindicais para fortalecimento do sindicalismo realmente representativo e a superação do sindicalismo corporativista e de gaveta". A reforma trabalhista, insistem os sindicalistas, é um consenso entre trabalhadores, empregadores e governo, "mas é agenda para discussão no seu devido tempo".

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