Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Centrais sindicais criticam posição favorável de Eliseu Padilha à terceirização

O principal ponto de crítica dos sindicalistas é a abertura para a terceirização das atividades-fim, o que permitiria um aumento significativo na gama de terceirizados, que atualmente é de 12 milhões de trabalhadores

Paloma Rodrigues, especial para o Estado

17 Junho 2016 | 21h52

As centrais sindicais reagiram de maneira negativa à sinalização do ministro-chefe da Casal Civil, Eliseu Padilha, que disse a empresários ser favorável à aprovação do projeto da terceirização trabalhista. O coordenador nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sergio Nobre, afirmou que a proposta não pode ser aprovada "em um governo interino, a toque de caixa".

Padilha participou de um almoço com empresários do Grupo de Líderes de São Paulo (Lide), na quarta-feira, 15. Ele afirmou que a lei deve ser aprovada com rapidez e que o acordo deve prevalecer sobre a legislação atual. "Na década de 1940, quando se pensa no que era a legislação trabalhista, vê-se que era indispensável. Só que a década de 40 ficou para trás há muito tempo. Temos de olhar rumo ao amanhã", afirmou no evento.

O principal ponto de crítica dos sindicalistas é a abertura para a terceirização das atividades-fim, o que permitiria um aumento significativo na gama de terceirizados, que atualmente é de 12 milhões de trabalhadores.

"O Padilha está dando a contrapartida ao apoio empresarial que estão dando do interino Michel Temer", avalia Nobre. "Os empresários estão cobrando a fatura."

O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, também considerou a fala como negativa para os trabalhadores. "A maneira como ele se expressou deu a entender que esse projeto deveria ser aprovado muito rapidamente para implantar a terceirização."

Ele considera que o Senado estava agindo de maneira positiva ao abrir espaço para as discussões sobre os temas que envolviam também os representantes sindicais. "O debate está bem maduro para que possamos discutir", disse. "Precisamos ver o se reformar. Nós queremos discutir, mas não para tirar direitos, e acima de tudo em uma crise nunca antes vista para o país, debater reforma trabalhista é um convite à precarização e ao desmonte aos direitos trabalhistas."

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) declarou que a posição de Padilha é "literalmente equivocada". O presidente nacional da instituição, Adilson Araújo, chamou o discurso do ministro de retrógrado e afirmou que "moderno seria melhorar as condições de trabalho". "Esse governo não tem autoridade moral e política para promover nenhuma reforma", apontou. A CTB defende que se regulamente as atividades-meio, mas é contra a possibilidade de terceirização das atividade-fim.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, acredita que a fala de Padilha foi uma sinalização ao empresariado e afirmou que os trabalhadores aceitam uma renovação, desde que tenham chance de enfrentar as negociações com o empresariado. "Talvez o ministro tenha querido fazer média com os empresários, mas eu creio que os trabalhadores tenham conhecimento da realidade mundial", disse, em referência a fala de Padilha de que a terceirização é uma tendência mundial.

Sobre a promessa de Padilha de aprovação das reformas trabalhista e tributária, Juruna ironizou afirmando que "ele tem que combinar com os russos". "Nós estamos abertos ao diálogo, mas isso pressupõe força e pressão. Nossa Força Sindical está aberta a fazer unidade contra aquilo que prejudique os trabalhadores."

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