Paulo Vitor/Estadão
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Centrais sindicais defendem rapidez da Lava Jato para não prejudicar emprego

Diagnóstico apresentado pelas centrais é que os reflexos práticos das investigações afetam principalmente setores que empregam grandes contingentes de trabalhadores

Mário Braga, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 17h04

SÃO PAULO - Representantes das seis principais centrais sindicais do País deram início, nesta segunda-feira, 9, a um movimento que pretende pressionar o governo federal e o Judiciário por uma "solução rápida" para as empresas envolvidas na Operação Lava Jato, sem impedir, no entanto, que os envolvidos nos desvios sejam punidos. O diagnóstico apresentado por eles é que os reflexos práticos das investigações sobre as atividades de grandes empreiteiras e da própria Petrobrás afetam principalmente setores que empregam grandes contingentes de trabalhadores e, por isso, o mercado de trabalho tem apresentado uma deterioração tão intensa. 

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), defende a punição das pessoas envolvidas nos desvios, mas que as empresas ligadas ao escândalo de corrupção não sejam impedidas legalmente de participar de novas licitações. "É preciso separar o joio do trigo. Não estamos fazendo a defesa dos corruptos, mas é preciso diferenciar o corrupto e a obra, que gera emprego, aquece a economia e favorece o mercado interno", disse. 

De acordo com Sérgio Nobre, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), é consenso entre as centrais sindicais a necessidade de estabelecer que apenas um órgão fique responsável por firmar acordos de leniência com as empresas investigadas para encerrar mais rapidamente os processos judiciais. "Na Alemanha, tem um fórum específico para isso (fechar acordos de leniência). No Brasil, são cinco órgãos. Então, tem que sentar todo mundo, fazer um fórum só e rapidamente julgar esses casos e liberar as empresas para funcionar", defendeu. 

Em reunião na capital paulista, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Nova Central Sindical e da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) definiram para o dia 3 de dezembro um encontro com empresários, acadêmicos e o governo para a discussão de propostas neste sentido que possam preservar empregos especialmente nos setores mais afetados - óleo e gás, construção civil e indústria naval. 

Para o próximo dia 8, está previsto um ato concentrado no Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobrás, para chamar a atenção da sociedade para esta causa. No dia 9 de dezembro, os sindicalistas pretendem entregar ao governo federal e a autoridades de diferentes órgãos dos poderes Executivo e Legislativo o pacote de medidas que deve ser desenhado nos próximos trinta dias.

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