NILTON FUKUDA|ESTADÃO
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Centrais sindicais e técnicos protestam contra o Banco Central

Em São Paulo, sindicalistas se posicionam contra juros altos; em Brasília, técnicos do BC prometem acampar em frente à sede para reivindicar modernização das carreiras

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2016 | 11h41

Seis centrais sindicais – Força Sindical, CUT, UGT, Nova Central, CSB e CTB – protestam nesta terça-feira, primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da nova gestão do Banco Central, contra o alto patamar da taxa básica de juros, atualmente em 14,25%. A manifestação teve início às 10h em frente à sede do BC na Avenida Paulista, em São Paulo.

Já em Brasília, técnicos da instituição prometem acampar em frente à sede da autarquia para reivindicar modernização das carreiras. A greve dos técnicos teve início na segunda-feira da semana passada e a intenção era paralisar as atividades por apenas dois dias, mas o movimento ocorre até agora e não tem mais data para terminar.

"Ocorre que fomos atropelados pela base, que decidiu apenas voltar a trabalhar quando o acordo feito no passado com o BC fosse cumprido integralmente", explicou o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos do Banco Central (SintBacen), Willekens Brasil. De acordo com ele, a categoria reúne cerca de 670 profissionais em todo o Brasil e 80% desse total de trabalhadores está de braços cruzados. Ele disse também que alguns analistas começam a aderir ao movimento em algumas partes do País.

A greve, conforme Brasil, atinge principalmente as áreas de meio circulante, segurança, parte do atendimento ao público e administrativa, que reúne engenheiros. "A paralisação não é boa para ninguém, nem para os servidores e nem para a organização, mas saiu do nosso controle e não tem outro caminho", afirmou.

O SintBacen explica que, no fim de 2015, um acordo foi firmado entre o governo e entidades sindicais, gerando o Projeto de Lei Complementar (PLC) 36/16, que trata de reajustes salariais e outras modificações relativas às carreiras do Executivo Federal. O PLC pode ser apreciado pelo presidente da República "a qualquer instante", conforme o sindicato. Para a entidade, alguns itens que tratam da reestruturação de carreiras estão correndo o risco de serem vetados, o que comprometeria o acordo.

Entre as possibilidades de veto que mais incomodam o SintBacen está a que trata da mudança de critério de acesso para o cargo de técnico do BC, de nível médio para superior. "Esta elevação da exigência do nível de escolaridade foi resultado de uma longa negociação de mais de 10 anos envolvendo entidades sindicais, BC, Ministério do Planejamento e Casa Civil", trouxe o comunicado de greve distribuído pela entidade para os funcionários que chegam para trabalhar no BC.

"A greve não é sobre reajuste. Não tem impacto financeiro e nem de transposição de áreas e cargos dentro do BC. Só queremos defender a forma de ingresso no BC", argumentou o diretor nacional do SintBacen, Marcondes Oliveira.

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