Centrais sindicais evitam comemoração sobre PIB

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,2% no primeiro semestre desse ano ante igual período do ano passado "não é tão excepcional assim" se a avaliação tomar como base o desempenho fraco de 2003. A opinião é do presidente da Força Sindical, a segunda maior central do País, João Carlos Gonçalves, o Juruna. O sindicalista se mostra apreensivo sobre a continuidade do crescimento ao longo de 2004 após as indicações do Comitê de Política Monetária (Copom) de que poderá aumentar em breve a Selic, a taxa básica de juros da economia, para conter o risco inflacionário. Para ele, além de equivocadas, tais indicações prejudicam as negociações das campanhas salariais do segundo semestre. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, disse que este crescimento do PIB "não é só comemoração". Segundo ele, um eventual aumento da Selic pelo Banco Central na próxima reunião do Comitê será "um desastre", a ponto de comprometer a continuidade do crescimento econômico do País em 2005. Ao contrário de Juruna, Marinho disse que o risco de alta da Selic não prejudica as negociações das campanhas salariais das categorias com data-base no segundo semestre. Para ele, a capacidade de mobilização dos sindicatos e o momento favorável da economia brasileira prevalecem sobre o risco de aumento de juros. Investimentos A manutenção do crescimento da economia também depende, na visão de Juruna, de estímulos por parte do governo a investimentos privados em infra-estrutura. "Parece óbvio que num futuro próximo teremos problemas de gargalos de infra-estrutura, mas o governo ainda não discutiu abertamente com a sociedade como quebrar esses gargalos. Lá na frente, teremos problemas", projetou.

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