Clayton de Souza/Estadão
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Centrais sindicais protestam contra 'Plano Levy'

Atos contra mudanças na legislação trabalhista reúnem centenas de manifestantes em São Paulo e no Rio de Janeiro

José Maria Tomazela, Ricardo Della Coletta, Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 09h37

Atualizada às 16h45

Protestos contra medidas do governo federal que alteram direitos trabalhistas reúnem centenas de trabalhadores nesta quarta-feira, 28. Movimentos sindicalistas celebram o "Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos e do Emprego da Classe Trabalhadora" e criticam o chamado "Plano Levy", as medidas de ajuste fiscal propostas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Segundo a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas se concentraram na Avenida Paulista e 1,5 mil em Sorocaba, no interior de São Paulo. As manifestações são organizadas por seis centrais sindicais: CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CSB.

No Rio de Janeiro, a CUT e outras centrais sindicais também realizam, nesta quarta-feira, desde as 15 horas, um protesto em frente à Central do Brasil, na região central da capital fluminense, contra as medidas provisórias 664 e 665 editadas pelo governo federal. Às 16 horas, cerca de 200 pessoas participavam do ato.

De acordo com o diretor da CUT-RJ Marcello Azevedo, as medidas de ajuste fiscal contrariam os compromissos e promessas feitos pela presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha em que foi reeleita. "Existem outras formas de combater o déficit público, como taxar os mais ricos, criando o imposto sobre as grandes fortunas e promovendo o combate à rotatividade no emprego imposta pelas empresas, como é o caso do setor bancário", afirma. "A CUT não aceita este retrocesso. O trabalhador não pode, mais uma vez, pagar a conta da crise econômica", completa.

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força Sindical , que também é presidente do partido Solidariedade, disse que hoje se inicia uma mobilização nacional para enfrentar o que ele chamou de "pacote de maldades". Ele também criticou o discurso feito por Dilma ontem, na reunião ministerial, na qual ela defendeu as medidas adotadas pela sua equipe econômica. Para Paulinho, ao dizer que os direitos trabalhistas estão sendo preservados, a presidente "ou está doida ou acha que só tem idiota do lado de cá".

"Vamos derrotar a presidente Dilma na eleição da Mesa (Diretora da Câmara) e neste maldito pacote de maldades", afirmou o parlamentar.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que a presidente Dilma, ao adotar as medidas, foi contra o discurso encampado em sua própria campanha, quando prometeu que não mexeria em direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa." "Ela enganou os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e fez propaganda enganosa."

O mote adotado por Dilma foi adaptado e virou arma para os sindicalistas contra Dilma, que entoam palavras de ordem como "a Dilma mentiu, a vaca tossiu".

Já Luiz Carlos Mota, presidente da UGT de São Paulo, o pacote prejudica os trabalhadores, principalmente ao exigir uma carência maior para o seguro desemprego. "Por que não se mexe na reforma tributária? Por que só os trabalhadores estão pagando a conta?"

Mudanças. Entre as alterações criticadas pelos sindicatos estão seguro-desemprego, auxílio-doença e pensão por morte. As centrais querem a revogação das Medidas Provisórias 664 e 665 que modificam essas regras e que ainda têm de ser votadas pelo Congresso Nacional. 

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro da Fazenda classificou o seguro-desemprego como "completamente ultrapassado", usando-o como exemplo para justificar cortes em benefícios sociais. Joaquim Levy reforçou, no entanto, que o Bolsa Família não será atingido.

As mudanças na legislação trabalhista passam a valer em março.

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