NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Central sindical diz temer invasão de operários chineses

Força Sindical vai enviar carta ao governo questionando os acordos fechados com a China na semana passada

JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2015 | 02h06

A Força Sindical vai enviar hoje uma carta ao governo Dilma Rousseff questionando os acordos fechados na semana passada com a China. A central sindical teme que os acordos facilitem a entrada de trabalhadores chineses no País, tomando vagas de brasileiros justamente em período de aumento do desemprego. A Força, que é a segunda maior central do País, quer discutir com o governo a criação de "cotas" para trabalhadores brasileiros.

"Sugerimos uma reunião para discutirmos a legislação sobre movimentação de imigração de trabalhadores, as relações de trabalho que serão estabelecidas, a transferência de tecnologia e a garantia de contrapartidas sociais, como uma cota para trabalhadores brasileiros", diz a carta.

Em entrevista, o presidente da Força, Miguel Torres, explicou o temor dos sindicatos. "Nosso medo é que, no meio desses acordos todos, tenha passado algo que facilite a entrada em massa de trabalhadores chineses. Queremos negociar com o governo e deixar claro que aqui tem de ser trabalhador brasileiro, nem que seja por cota", disse ele.

Fragilidade. No documento, a central sindical aponta preocupação com o fato de o Brasil estar diante de um cenário de aumento do desemprego. "Nossa preocupação refere-se ao momento que estamos vivenciando, de uma fragilidade política e econômica sem tamanho, sobre a viabilidade de, justamente neste instante, a decretação de tal acordo, que envolve vários setores, cadeias que envolvem milhões de trabalhadores", assinala a Força, que representa mais de 1,6 mil sindicatos em todo o País.

A carta, assinada por Torres, que também comanda o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, será entregue aos ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento e também das Relações Exteriores.

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