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Central sindical faz denúncia sobre operário desaparecido em Belo Monte

Desde sexta-feira, 5, operários realizam protestos nos canteiros da Usina de Belo Monte, que tem mais de 22 mil trabalhadores

Fátima Lessa, especial para O Estado de S. Paulo,

11 de abril de 2013 | 18h26

CUIABÁ - Lideranças sindicais da Central Sindical Popular (CSP Conlutas) denunciaram a prisão e desaparecimento de um trabalhador na madrugada desta quarta-feira (10), que estava em um dos canteiros de obra da Usina Belo Monte, em Altamira, Pará. A denúncia foi feita ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério do Trabalho e Emprego e ao Tribunal Superior do Trabalho.

De acordo com a denúncia, o homem, conhecido como "Belém", foi retirado de um dos alojamentos do canteiro de obras Belo Monte pela Polícia Militar sem qualquer ordem de prisão e não foi visto desde então. Desde sexta-feira, 5, os trabalhadores da usina realizam protestos nos canteiros.

Na sexta-feira, os operários pararam as obras no sítio Pimental, mas retornaram às atividades em menos de 24 horas. Na segunda-feira, 8, eles interromperam as obras do sítio Belo Monte. "O movimento recuou por conta das demissões, mas continuamos fortes no sítio Belo Monte", disse Walter Santos, diretor da CSP Conlutas. Os trabalhadores reclamam de repressão da Força Nacional.

O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) informou que os quatro canteiros de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), estão em funcionamento. O presidente do Sindicato da Construção Pesada de Altamira, Roginel Gobbo, disse que o sítio Belo Monte retornou a funcionar somente na quarta-feira.

O outro lado. Em nota, o CCBM disse que se colocou à disposição da Defensoria Pública para qualquer esclarecimento necessário. O Consórcio disse que tomou conhecimento do "suposto" desaparecimento de um funcionário por intermédio do órgão. A assessoria do CCBM lembrou que existem na obra mais de 22 mil trabalhadores, que atuam em quatro canteiros de obras em áreas remotas da Amazônia.

Sobre a presença da Força Nacional, o CCBM disse que ela "atende a uma determinação do Ministério da Justiça, e visa oferecer segurança aos mais de 22 mil trabalhadores do CCBM". Em menos de dois anos, segundo o consórcio, a usina teve "sítios de obras invadidos inúmeras vezes, com registro de incêndios em alojamentos, depredações diversas e até mesmo furtos de equipamentos".

Reivindicações. Os trabalhadores mobilizados pela CSP Conlutas, listaram mais de 35 itens de reivindicações e entregues ao departamento de relações sindicais do CCBM. Os trabalhadores reclamam ainda do não pagamento de adicional por insalubridade e periculosidade, da péssima qualidade da alimentação e da constante presença de policiais e homens da Força Nacional armados nos canteiros. Segundo os sindicalistas, já foram demitidos mais de 600 trabalhadores.

Nem a Polícia Militar do Pará nem a Força Nacional emitiram nota sobre as denúncias de repressão e prisão e desaparecimento do operário.

É a décima paralisação registrada no empreendimento desde que começou ser construído em julho de 2011, na bacia do Rio Xingu.

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