Matt McKnight/Reuters
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CEO da Boeing diz que 737 Max pode voltar a voar ainda em 2019

De acordo com Dennis Muilenberg, retomada deve acontecer de forma gradual; operações do mega avião da Boeing foram interrompidas após dois acidentes fatais causados por falhas na aeronave

Ana Luiza de Carvalho, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 10h55

O executivo-chefe da Boeing, Dennis Muilenberg, afirmou nesta quarta-feira, 11, que o Boeing 737 MAX pode voltar a voar no quarto trimestre deste ano. A afirmação foi dada durante uma conferência de investidores na Califórnia, nos Estados Unidos

De acordo com Muilenberg, a retomada das operações deve ser feita gradualmente, analisando cada País de forma individual. "Uma possibilidade é a liberação em fases", explicou. Todos os modelos do Boeing 737 MAX estão em solo desde março, após dois acidentes fatais ocorrerem com a aeronave em um intervalo de cinco meses.

 

 

O CEO da Boeing que a companhia continua atuando junto à Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) e a reguladores pelo mundo para conseguir permissão para que o 737 MAX volte a voar. A Boeing diz que mantém o plano de retomar a produção mensal de 57 aviões até o fim de 2020 —hoje, o número está em 42 aeronaves.

A companhia está trabalhando em questionamentos da Agência de Segurança na Aviação da União Europeia, como os requisitos de treinamentos de pilotos e o mau funcionamento do "ângulo de ataque", que levou ao defeito no sistema anti-stoll —ligado à queda dos aviões da Lion Air e da Ethiopian Airlines. "Não veria esses questionamentos como divisivos", disse Muilenburg. "Eu acho apenas que são questões que precisamos responder como parte do processo", completou.

"Nós continuamos a fazer progresso sólido para retomar o serviço", afirmou o executivo. Mesmo com as negociações, Dennis Muilenberg admitiu que o processo é complicado. "Eu diria que o principal risco ao cronograma continua a ser o alinhamento de reguladores pelo mundo e as aprovações dos reguladores", disse.

 

Relembre a polêmica do Boeing 737 MAX

O mega modelo da Boeing foi proibido de voar em abril de 2019 por agências de todo o mundo após se envolve em dois acidentes fatais em um período de cinco meses.

Em outubro de 2018, um avião da companhia Lion Air com 189 pessoas a bordo caiu no mar poucos minutos após decolar do Aeroporto de Jacarta, capital da Indonésia. Em março de 2019, um avião da Ethiopan Airlines que ia caiu seis minutos após a decolagem,  entre a Etiópia e o Quênia, deixando 157 mortos. O piloto reportou problemas à torre de comando e pediu permissão para retornar ao aeroporto, mas logo perdeu o contato com os controladores. 

Em abril, agências de aviação de nove país, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), se reuniram para discutir a questão do Boeing 737 MAX.  O grupo contou com especialistas da Austrália, Canadá, China, União Europeia, Japão, Indonésia, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.

A Boeing admitiu que o problema da aeronave estava concentrada no software anti-stall, que empurrou o nariz do avião para baixo com base em uma leitura errônea de dados dos sensores.

Em junho, Dennis Muilenberg afirmou que a empresa cometeu um erro ao não revelar o sistema de alerta defeituoso do cockpit de seu 737 MAX para reguladores e clientes, e disse que essa falha tem sido objeto de análise de agências reguladoras em todo o mundo.

Sob duras críticas a respeito do projeto do 737 MAX e da forma com que a Boeing lidou com a crise, o presidente-executivo disse estar “vendo ao longo do tempo cada vez mais convergência entre os reguladores” sobre quando a aeronave deve retornar ao serviço.

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