Franck Robichon/EFE
Franck Robichon/EFE

CEO da Toshiba renuncia ao cargo por fraude contábil

Investigação concluiu que Hisao Tanaka sabia que a companhia inflava seus lucros; escândalo corporativo é um dos maiores da história do Japão

O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2015 | 08h51

O presidente-executivo da Toshiba, Hisao Tanaka, renunciou ao cargo nesta terça-feira, um dia depois de uma investigação externa afirmar que ele e outros executivos da empresa foram responsáveis por um escândalo de contabilidade pelo qual a companhia japonesa de produtos eletrônicos ampliou artificialmente seus lucros em mais de US$ 1,2 bilhão ao longo de sete anos. Este é um dos maiores escândalos corporativos da história do Japão.

Tanaka informou que será substituído temporariamente pelo presidente do Conselho, Masashi Muromachi, acrescentando que a companhia está considerando nomear diretores de fora para mais da metade das cadeiras do Conselho.

"Vejo isso como o evento mais danoso para nossa marca nos 140 anos de história da companhia", disse Tanaka em entrevista coletiva após curvar-se profundamente em penitência diante das câmeras. "Não acredito que esses problemas possam ser superados do dia para a noite."

Na bolsa de Tóquio, as ações da Toshiba tiveram forte alta, avançando 6,1% após a empresa anunciar a saída de Tanaka e outros executivos. Após ser afetado pela volatilidade no mercado de ações chinês, o índice Nikkei, que reúne as ações mais negociadas na capital do Japão, subiu 0,93%, a 20.841,97 pontos, atingindo o maior nível em três semanas e ficando menos de 30 pontos abaixo de estabelecer um novo recorde em 18 anos.

Investigação. Em um esforço para deixar para trás o que o painel independente descreveu como um problema "sistêmico", a Toshiba anunciou uma grande reorganização da diretoria, com a saída de 16 membros do conselho. Isso inclui Tanaka, que era executivo-chefe desde 2013, e seu antecessor, Norio Sasaki, que vinha atuando como vice-presidente. Sasaki, por sua vez, comunicou sua renúncia em um painel de consultores do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, também nesta terça-feira.

Em um relatório de 300 páginas que se tornou público hoje, a investigação externa contratada pela Toshiba afirmou que os três últimos executivos-chefes da empresa tiveram papel ativo na elevação artificial do lucro operacional da companhia desde 2008.

Segundo o relatório, os executivos pressionaram intensamente as unidades de negócios da Toshiba - que vão desde computadores pessoais até semicondutores e reatores nucleares - a alcançarem metas de lucro irrealistas. Algumas vezes a diretoria emitia as metas pouco antes do fim de um trimestre ou um ano, encorajando os diretores das unidades a "esquentarem" os registros.

"Os procedimentos impróprios de contabilidade foram realizados continuamente como uma política da diretoria", diz o relatório. "Era impossível para qualquer um ir contra essa intenção em meio à cultura corporativa da Toshiba", acrescenta o documento.

O vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, expressou decepção com o episódio. "Estou totalmente desapontado porque isso pode afetar a confiança do investidor no mercado japonês", disse. O governo de Abe está se esforçando para mostrar maior transparência entre as companhias locais e atrair mais investidores estrangeiros. (Com informações da Agência Estado e da Reuters).


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