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CEO externo não está nos planos das empresas familiares

Pesquisa da KPMG aponta que só 16% das companhias brasileiras fundadas por famílias têm presidente independente

Raquel Brandão, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2016 | 05h00

A maioria das empresas familiares brasileiras quer continuar em família. Foi a essa conclusão que a consultoria KPMG chegou em sua mais recente pesquisa sobre governança em empresas desse tipo. Das companhias consultadas, apenas 16% têm como diretor executivo um membro que não seja da família. Além disso, ainda que 86% prevejam mudanças na gestão, só um terço desse porcentual pretende apontar um CEO externo nos próximos doze meses. 

“No Brasil, há uma forte influência do modelo europeu de negócio. Mesmo que a empresa cresça e se torne de capital aberto, há a ideia de que ela siga com caráter familiar. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cultura é diferente. Muitas vezes, os fundadores fazem a companhia crescer e depois a vendem”, explica Sidney Ito, sócio de consultoria em riscos e governança corporativa da KPMG no País. 

Ainda segundo a pesquisa, para 74% das companhias o treinamento sucessório é algo muito importante. Um exemplo disso, é o empresário Frederico Trajano que, preparado desde o começo de 2014 para suceder a mãe Luiza Helena Trajano, assumiu no início de 2016 o comando da Magazine Luiza. Segundo o estudo, a situação da varejista ainda é minoria, já que 88% das empresas estão sob o comando da primeira e segunda gerações.

Como as empresas brasileiras ainda são substancialmente novas, grande parte delas começa, agora, a caminhar para a chegada da terceira geração, o que muda a preocupação com estruturas de controle. “Aquela imagem de empresa misturando-se com a vida particular do acionista não reflete mais a realidade. Hoje em dia, ter uma estrutura de governança é uma necessidade para sobreviver no mundo dos negócios”, aponta Fabíola Cammarota de Abreu, sócia do escritório Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados. À pesquisa, 85% dos entrevistados responderam que separar interesses familiares e negócios é muito importante.

De acordo com Sidney Ito, da KPMG, o mercado nacional está habituado a ver empresas familiares. “Das companhias abertas brasileiras, mais ou menos 70% são familiares, como o Itaú e a Votorantim.” Para que esses negócios prosperem, no entanto, o especialista defende que sejam criados mecanismos de proteção aos minoritários. “Existem regras de governança que apontam que o conselho de administração deve ter membros independentes e outras que exigem a divulgação de todas as transações da empresa que envolvam a família”, exemplifica Ito. 

Planejamento patrimonial. De olho em sua linha de sucessão, muitos executivos têm procurado planejar a gestão do seu patrimônio antecipando a transferência de seus bens. “É a visão do empresário sobre como seus negócios serão geridos no futuro. Que herdeiro fará o quê”, observa o advogado José Maurício Abreu, sócio da área tributária do escritório Miguel Neto Advogados. 

Para a advogada Fabíola Cammarota de Abreu, o que se espera é que essa transição consiga conter uma mudança brusca nos negócios da empresa. “Busca-se uma estrutura eficaz do ponto de vista fiscal, bem como evitar discussões entre herdeiros que coloquem em risco o valor da empresa.”

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