Cepal aconselha AL a aproveitar onda chinesa para investir

A América Latina deve aproveitar a oportunidade proporcionada pela China e diversificar os destinos de suas exportações, além de aumentar o seu valor agregado, disse nesta quarta-feira à EFE o secretário-executivo da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), o argentino José Luis Machinea. Isso porque, segundo ele, dentro de cinco anos, o país será o maior, ou pelo menos o segundo maior, parceiro comercial de muitos países do continente. Seria um grande desafio para as economias latino-americanas, que na sua opinião não devem se limitar a exportar matérias-primas, e sim "aproveitar a oportunidade para agregar valor, e sobretudo conhecimento". "Se você não pegar o trem hoje, ele pode não passar de novo amanhã", alertou o dirigente. Ele participou nesta quarta-feira de um fórum em Pequim sobre política econômica nas relações chinesas com a América Latina. Machinea se reuniu com o vice-primeiro-ministro chinês, Zeng Peiyan, que apontou interesses comuns em diversos assuntos internacionais. Além disso, as duas áreas são "complementares em economia", segundo Peiyan. O argentino lembrou exemplos históricos, como o período de 1870 a 1914, quando a Europa importava matérias-primas da América Latina em grandes quantidades. "Não aproveitamos a oportunidade. Só exportamos matérias-primas e, quando acabou o ´boom´, caímos", analisou. Problemas sociais China e América Latina podem assimilar a experiência mútua em problemas como a desigualdade, a pobreza e outros temas sociais, disse Machinea. "A América Latina, para o bem ou para o mal, foi um campo de experiências" no setor, afirmou. Apesar das diferenças culturais, históricas e políticas, ele acha que "podemos aprender muito com a China. Principalmente com a sua receita de crescimento econômico". Nos últimos 25 anos, a economia chinesa cresceu em média 9,5% ao ano, sete pontos a mais que a América Latina no mesmo período. Valor agregado O secretário-executivo considera o superávit de países como o Brasil e Chile nas suas relações comerciais com a China uma oportunidade de "agregar valor às exportações, porque a situação favorável vai durar algum tempo, mas não a vida toda". O valor agregado está relacionado ao investimento em pesquisa e desenvolvimento. A China aplica 1,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB), e a América Latina 0,5%. Em 2005, metade dos investimentos chineses no exterior beneficiou os países da América Latina. Em 2004, o presidente, Hu Jintao, já havia prometido investir pesadamente nos próximos 20 anos.

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