Cepal alerta que dúvidas nos EUA ameaçam reservas de países latino-americanos

Depois da China, a região da América Latina e Caribe, em seu conjunto, é o segundo maior detentor de ativos em dólares em suas reservas

Marina Guimarães,

28 de julho de 2011 | 12h34

As reservas internacionais dos países da América Latina e Caribe, que chegam a mais de US$ 700 bilhões, estão ameaçadas pelas dúvidas sobre a dívida pública norte-americana. A advertência é da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

O fato é que grande parte dessas reservas é formada por títulos da dívida americana. Depois da China, a região da América Latina e Caribe, em seu conjunto, é o segundo maior detentor de ativos em dólares em suas reservas. Se o governo dos Estados Unidos não elevar o limite do seu endividamento, que por lei é de US$ 14,3 trilhões, esses países correm o risco de não receber o rendimento de suas aplicações. O prazo para a elevação desse teto é 2 de agosto.

A secretária-executiva do organismo, Alícia Bárcena, também avalia que a demora em uma definição sobre os Estados Unidos constitui uma ameaça sobre o sistema financeiro internacional, o que deve afetar a demanda por bens e serviços que a região produz e exporta.

A Cepal pede às instituições do país que encontrem "o melhor caminho para que a economia mundial continue o difícil processo de recuperação da crise iniciada em 2007 e, assim, a região possa seguir crescendo e fechando as brechas sociais e produtivas".

Em nota distribuída à imprensa, a Cepal pondera que, em relação às crises anteriores, a região tem demonstrado estar mais bem preparada para enfrentar uma deterioração do cenário internacional. No entanto, a ausência de um acordo para resolver o problema da dívida pública norte-americana "coloca em grave risco a resiliência e o crescimento da região".

A Cepal ressalta que os EUA são o principal sócio econômico da região e sua importância é ainda maior para o México e países da América Central e Caribe. "Uma porcentagem muito significativa dos fluxos financeiros e de investimento vem dos EUA. A maior parte das remessas que aliviam a situação de muitos lares pobres de nossa região é resultado do trabalho de latino-americanos e caribenhos na economia norte-americana", detalhou.

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