Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Cerca de 13% dos reajustes salariais concedidos em 2015 foram parcelados

Proporção é quase o dobro da observada em 2014; balanço do Dieese mostra que 52% das negociações foram fechadas acima do INPC

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2016 | 13h37

SÃO PAULO - Diante das dificuldades financeiras decorrentes da crise econômica, aumentou o número de empresas que negociaram com os empregados no ano passado o pagamento dos ajustes dos salários em duas ou mais parcelas. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 90 das 708 negociações analisadas, ou cerca de 13% do total, recorreram a este mecanismo para conseguir reajustar os salários dos trabalhadores.

De acordo com o Dieese, a proporção é quase o dobro da observada em 2014 e mais que o triplo da registrada em 2008, ano que abrigou o auge da crise financeira global.

Reajustes escalonados. Também foi observado o aumento na proporção dos reajustes escalonados, aqueles pagos em valores diferenciados segundo faixas salariais definidas em negociação. "Em 2015, quase um quarto dos ajustes foi pago de forma escalonada", afirmam os técnicos do Dieese.

Quanto ao pagamento do abono salarial, o Dieese não observou mudanças significativas. Cerca de 7% das negociações analisadas em 2015 concederam abono salarial, um porcentual próximo ao verificado nos últimos anos.

INPC. O balanço das negociações salariais acompanhadas pelo Dieese, através do Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS), mostra que 52% das negociações realizadas em 2015 foram fechadas com ganhos acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) anual. A inflação por este indicador acumulou alta de 11,2% no ano passado e, a partir dessa variação, os trabalhadores garantiram aumento real médio de 0,23%.

Foram analisados os reajustes de 708 unidades de negociação da indústria, comércio e serviços em quase todo o território nacional no ano passado. De acordo com o SAS/Dieese, 30% das negociações foram fechadas contemplando reajustes igual à inflação medida pelo INPC em 2015. Outras 18% fecharam com ajustes inferiores ao INPC.

A despeito do porcentual de reajustes com ganho real acima da inflação no ano passado, o Dieese chama a atenção para o fato de que "uma das principais características das negociações salariais em 2015 ter sido o aumento na proporção dos reajustes em valor igual ou abaixo da variação do INPC."

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