FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Cerca de 15 mil pessoas buscam um emprego no Vale do Anhangabaú

Mutirão do Emprego, organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo e pelo Sindicato dos Comerciários, oferece 6 mil vagas de trabalho

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 12h37

Sob sol forte, milhares de pessoas formam uma fila que se estende da sede do Sindicato dos Comerciários, no centro de São Paulo, e contorna pelo Vale do Anhangabaú, na manhã desta terça-feira, 26.

Os candidatos tentam uma das 6 mil vagas que serão ofertadas no Mutirão de Emprego, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo, em parceria com o sindicato.

Um balanço da central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT), no começo da manhã, estimava que 15 mil pessoas esperavam na fila em busca de uma senha para uma oportunidade de emprego.

As senhas serão distribuídas nesta terça e são obrigatórias para que o candidato busque uma vaga nos quatro dias do evento, que vai até a próxima sexta-feira, 29.

Confira histórias e depoimentos de alguns dos milhares de desempregados que saíram em busca de uma oportunidade na manhã desta terça-feira, 26.

Edrina Reis, 40 anos

A auxiliar de limpeza Edrina Reis, de 40 anos, pensa em voltar para a Bahia. “Só não voltei ainda, porque acho que o desemprego está pior no Nordeste.” Sem emprego fixo há um ano, ela depende da pensão do irmão, com quem mora, para se manter. “Quem diz que a crise passou é porque não está aqui, olhando para esta fila. Eu só vou acreditar que a tal crise passou, quando começarem a me chamar para entrevistas de emprego. Por enquanto, só deixo currículos e nada.”

Marcelo Rodrigues, 48 anos

Marcelo Rodrigues, de 48 anos, já está quase desistindo de procurar um emprego formal. Auxiliar de logística, ele já nem procura mais uma vaga em sua área de formação, topa o que aparecer. “O problema é que nada aparece. Quando você vai chegando aos 50 anos, as empresas já te olham como se você fosse um fardo. Lá em casa, é a minha esposa quem tem segurado as contas.” Desempregado há um ano e oito meses, ele conta que até os bicos estão mais raros. “Há dez anos, quando também fiquei desempregado, ainda conseguia um trabalho como entregador. Agora, tem concorrência até para fazer bico.”

 Osni Cavalcante, 41 anos

Osni Cavalcante, de 41 anos, tem mais medo de continuar desempregado do que de altura. Ele, que limpava vidraças de prédios comerciais no centro de São Paulo e está há três meses sem emprego, conta que aceita qualquer oportunidade. “O pessoal fala que a situação está melhorando, mas essa melhora ainda não chegou lá em casa. Minha esposa tem ajudado a nos manter, mas ficar sem trabalho é uma coisa que me envergonha demais.” Na fila por uma senha no Vale do Anhangabaú desde a madrugada, ele acha que vai ser difícil conseguir emprego agora, mas não desiste. “Acordando cedo já está difícil, imagina se eu desanimar?”

Valdemir dos Santos, 30 anos

Valdemir Dos Santos, de 30 anos, teve de parar a faculdade de Design Gráfico, faltando um semestre para concluir o curso. Ele procura emprego há três anos, desde que o centro de inclusão digital, em que dava aulas de informática para crianças carentes na zona leste de São Paulo, fechou. “O que eu mais quero é poder terminar os estudos. Cheguei aqui hoje por volta das 5h, só não cheguei mais cedo, porque os ônibus começam a circular no meu bairro só depois das 4h.” Ele espera voltar para casa, em Ermelino Matarazzo, no extremo leste da capital paulista, com ao menos uma esperança de emprego. “Meu sonho é conseguir uma vaga de auxiliar de escritório, mas quem é que pode escolher muito?”

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