Cercando as manchas de óleo

Startup israelense cria uma maneira rápida para conter vazamentos de petróleo com uma cinta leve e feita de plástico

The Economist, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2015 | 03h00

Desde o desastre acontecido no Golfo do México, em 2010, depois da explosão da plataforma de perfuração Deepwater Horizon, novas ideias sobre como limpar derramamentos de petróleo surgem sem parar. Máquinas apelidadas de “escumadeiras” foram desenvolvidas para retirar o petróleo da superfície da água. Novos métodos químicos foram testados com o intuito de dispersar o óleo; e com métodos biológicos tentou-se digeri-lo. Um projeto italiano chegou mesmo a descobrir que a lã crua é um ótimo absorvente de petróleo. Mas um fator decisivo é a rapidez na instalação de cintas flutuantes que impeçam a mancha de petróleo de se espalhar. Uma startup israelense acredita que encontrou a maneira mais ágil de fazer isso.

Há grande variedade de cintas flutuantes que podem ser usadas como obstáculos físicos com o objetivo de conter um derramamento de petróleo. São feitas de plástico, metal ou outros materiais. Em geral consistem numa banda flutuante sólida ou inflável, com uma “saia” pendurada na parte de baixo, lastreada por uma corrente. São volumosas e pesadas. Além disso, têm de ser transportadas por um barco ou balsa até o local do vazamento, onde é necessária a presença de uma equipe de especialistas para colocá-las na água. Tudo isso leva tempo - às vezes, dias -, aumentando o risco de que o petróleo se espalhe ainda mais e se divida em manchas menores, dificultando a limpeza.

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A ideia que Boaz Ur, diretor executivo da Harbo Technologies, e seus colegas tiveram foi usar uma cinta plástica extremamente leve, que possa ser transportada com grande rapidez numa embarcação pequena. É uma cinta tão compacta que uma versão experimental foi levada numa mala até Ohmsett, em Nova Jersey, onde os Estados Unidos testam equipamentos desenvolvidos para serem usados no combate a derramamentos de petróleo. As cintas testadas lá costumam ser transportadas em contêineres marítimos.

Uma cinta muito leve está sujeita a ser facilmente emborcada pelo vento e pelas ondas, permitindo que o petróleo escape por cima ou por baixo dela. O sistema da Harbo supera essa dificuldade recorrendo a vários estratagemas inteligentes. Ao ser lançada ao mar, a parte superior da cinta se enche de ar, fazendo com que a estrutura flutue, ao passo em que a parte inferior se enche de água, que então serve de lastro. Para impedir que a cinta vire de borco, seu perfil transversal tem forma de T. As asas de cada braço desse T são projetadas de modo a garantir estabilidade, protegendo a cinta da ação de ventos, correntes e ondas. Nos testes realizados em Ohmsett, um protótipo de 30 metros de comprimento conseguiu conter cerca de três toneladas de petróleo.

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No momento, a empresa se ocupa em desenvolver uma maneira de colocar a cinta rapidamente em operação. Como seu peso é de apenas 300 gramas por metro, a operação pode ser executada num barco pequeno, com apenas dois tripulantes. Ur diz que o treinamento da tripulação duraria menos de um dia. Tendo em vista que tanto a barreira, como a embarcação são pequenas e leves, o sistema como um todo poderia ser instalado perto de locais onde a ocorrência de derramamentos é provável, como portos marítimos, e levado em plataformas de perfuração e navios-petroleiros. Uma brigada de emergência que tivesse essa cinta à mão seria capaz de conter um derramamento de petróleo e impedir que ele assumisse proporções catastróficas.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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