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Certificado busca incentivar inclusão de mulheres em conselhos

País tem 23 empresas que ganharam o selo concedido pela Women on Board, criada no final de 2019

Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2021 | 05h00

Já existe um selo especial para as companhias no Brasil com mais de duas mulheres em seus conselhos de administração. A certificação é concedida pela Women on Board (WOB), uma associação que reúne um grupo de executivas, conselheiras, advogadas e empresárias engajadas na causa da promoção da mulher a postos com tomada de decisão.

A WOB foi criada no fim de 2019 com o apoio da ONU Mulheres e, desde então, já certificou 23 empresas de capital aberto, fechado e organizações no Brasil. Duas delas acabam de entrar nessa lista: o Banco Fibra e o IRB.

Todo processo é gratuito e sempre será, segundo compromisso firmado no estatuto da associação. “Somos autofinanciadas e totalmente independentes”, diz Christiane Aché, ex-executiva da Alstom e uma das co-fundadoras do WOB e especialista no assunto. Christiane também é diretora do Advanced Boardroom Program for Women, da Saint Paul Escola de Negócios, conselheira do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) de São Paulo e de órgã de comércio exterior da França (France's Foreign Trade Advisor).

A associação certifica e monitora se as empresas mantêm depois as duas conselheiras. Caso reduzam o número, as companhias com o selo WOB precisam recompor o conselho em seis meses ou perdem a certificação.

Duas mulheres em um conselho – que muitas vezes tem mais de dez integrantes – pode parecer pouco. Mas não é, considerando a realidade das companhias que integram a atual carteira teórica do Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro. Apenas 19 das 78 grandes empresas são elegíveis a solicitar a certificação, segundo levantamento feito pelo Estadão/Broadcast.

“Discutimos qual seria o número mínimo para fazermos a certificação”, lembra Christiane. Estabelecer apenas uma conselheira seria muito pouco e nem incentivaria as empresas a abrir espaço para mulheres nos colegiados, comenta a co-fundadora da WOB. “Uma mulher em um conselho é mais uma representante feminina do que uma pessoa que faz parte (das tomadas de decisão)”, diz. “Mas, se fôssemos estabelecer mais de duas, poucas empresas estariam aptas a receber a certificação,”

Ainda assim, ela é otimista. “Esse grande número de IPOs e mesmo de follow-ons em que a empresa precisa ajustar o conselho é uma grande oportunidade para mais mulheres serem chamadas”, diz a co-fundadora do WOB.

Candidatas

Mulheres dispostas a assumir um posto como conselheira não faltam. Christiane aponta vários bancos de talentos. Conta que a Women Corporate Directors (WCD) no Brasil, organização da qual é embaixadora no País, tem uma lista de 240 mulheres já capacitadas. Outra organização, a Conselheiras 101, que advoga pelas mulheres negras, tem outras 20. O programa de formação para conselhos da Saint Paul Escola de Negócios soma mais 300 formadas. E o Programa de Diversidade em Conselhos (PDeC), promovido por B3, IBGC, Spencer Stuart, IFC e WCD-Brasil, já formou outras 140. “Não dá mais para usar como desculpa a falta de candidatas”, afirma a especialista.

Além do IRB e do Banco Fibra, já receberam o selo WOB a Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), o grupo hospitalar Albert Einstein, Arezzo &Co, Banco BMG, B3, Cetesb, Cia de Talentos, Colégio Santa Cruz, Copel, Furnas, Great Place to Work, Grupo Baumgart, Grupo Fleury, IBGC, Natura, PagSeguro, Pernambucanas, Lojas Renner'', Santander, Ser+ e WWF.

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