Cesp enfrenta dificuldades para pagar dívida, admite Arce

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) luta para honrar o pagamento de sua dívida com o governo federal, de US$ 300 milhões ao ano, informou hoje o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce. Isso porque a empresa sofre perda de receita de R$ 400 milhões esse ano com a não renovação de contratos de energia. Além disso, a geradora tem recebido baixa remuneração ao disponibilizar seu excedente de produção ao Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE). "Estamos gerando mais energia do que no ano passado, mas tivemos queda de 25% em nossas receitas", comentou Arce.De acordo com ele, a estatal tenta adequar sua receita ao pagamento do serviço da dívida junto ao governo federal. Até 2023, a Cesp pagará US$ 1,5 bilhão ao Tesouro, por ser o governo federal avalista de seus financiamentos internacionais e o Estado de São Paulo o sub-avalista. A próxima parcela da dívida interna, no valor de US$ 30 milhões, vence no próximo dia 10, mas Arce garante que os recursos estão disponíveis. "Nossa preocupação e foco é o vencimento de dezembro", assegurou.IniciativasO secretário informou que uma das iniciativas adotadas pela empresa com o objetivo de cumprir os vencimentos é o repasse ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de recebíveis de fornecimento de energia, principalmente de grandes consumidores. "Transferimos ao BNDES um crédito de R$ 300 milhões que tínhamos a receber do governo de São Paulo", citou.A geradora tenta também fechar contratos para fornecimento futuro e, dessa forma, repassar esses recebíveis para a União. "Outra opção seria buscar uma linha de financiamento do BNDES ou vendermos ativos, mas essa última alternativa é inviável no momento que vivemos em nosso mercado."A melhor saída, sustentou Arce, seria vender a energia a preços melhores. Segundo ele, a Cesp estaria satisfeita se conseguisse vender sua energia no mesmo patamar de seus contratos com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), de R$ 73 por megawatt-hora (MWh). "Uma hidrelétrica nova não consegue produzir energia por menos de US$ 30/MWh", justificou.

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