Cesp: processo de privatização segue suspenso

O presidente da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp), Guilherme Augusto Toledo, afirmou hoje que o processo de privatização da companhia segue suspenso, após a tentativa frustrada de vender a geradora, em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em março deste ano. "Não temos nenhuma novidade para colocar ao mercado sobre este tema. A privatização segue suspensa", disse o executivo em teleconferência sobre o resultado do primeiro trimestre de 2008 da estatal, anunciado ontem.Apesar disso, o executivo revelou um movimento entre as concessionárias de geração, transmissão e distribuição para pressionar o governo federal em torno de uma definição sobre as concessões de energia que expiram em 2015. A falta de garantias sobre a renovação das concessões da Cesp foi o principal fator que inviabilizou a terceira tentativa de venda da companhia.De acordo Augusto Toledo, há articulação das companhias em torno da Associação Brasileira das Empresas de Geração de Energia Elétrica (Abrage), da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) para tratar do tema junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Ministério de Minas e Energia (MME). "A idéia é trabalhar para evitar que a decisão venha a ser tomada apenas em 2015", afirmou o executivo. Segundo ele, "o ideal é que as concessões sejam renovadas ainda neste governo, de preferência ao final de 2009".O presidente da Cesp lembrou que não é apenas a geradora paulista que enfrenta essa dificuldade. O executivo contou que em 2015 vencem concessões de geração que somam 20 mil megawatts (MW) médios de energia de empresas como Copel, Cemig, Chesf e Furnas, além da própria Cesp. O problema também afeta as transmissoras e distribuidoras que não foram privatizadas ou aquelas concessões que não foram renovadas no processo de privatização, como a da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). "A valor de mercado, essas concessões custam R$ 120 bilhões", disse Augusto Toledo.InvestimentosO executivo afirmou que essa indefinição sobre as concessões já provoca problemas no setor, uma vez que as empresas estariam desestimuladas a realizar investimentos. "Falta motivação para investir. Ainda que a regra atual garanta o saldo residual do ativo (em caso de mudança de controle da concessão), ninguém quer ter esse retorno nominal. As empresas querem investir para ter retorno ao longo dos anos", justificou o executivo.

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