Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Cetip rejeita oferta de R$ 10,2 bilhões da BM&FBovespa

Bolsa paulista pagaria R$ 39 por ação da Cetip, totalizando R$ 10,2 bilhões; conselho da empresa não considera o preço justo

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2015 | 02h02

O conselho de administração da Cetip anunciou na quinta-feira que rejeitou uma oferta de aquisição feita pela BM&FBovespa. A resposta veio quase três semanas depois de a Cetip receber uma oferta não vinculante da Bolsa paulista, que pagaria pelo negócio R$ 39 por ação, ou cerca de R$ 10,2 bilhões.

A Cetip é uma companhia de capital aberto que oferece serviços de registro, central depositária, negociação e liquidação de ativos e títulos. A negociação entre Cetip e BM&FBovespa vinha sendo alvo de comentários do mercado havia meses.

O conselho da Cetip rejeitou a proposta, alegando que R$ 39 por ação não representa "preço justo de avaliação da companhia e subavalia os seus negócios, ativos, posição de mercado e perspectivas de crescimento e rentabilidade". A empresa informou ainda que já notificou a BM&FBovespa sobre esse entendimento.

Os dois bancos de investimento contratados pela Cetip para analisar a oferta recebida da Bolsa, o Itaú BBA e Morgan Stanley, fizeram apresentação ao conselho na última terça-feira, conforme divulgou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O entendimento seria que a Cetip pode perseguir um melhor preço.

Esse primeiro posicionamento sobre a proposta da Bolsa marca um passo importante, já que agora as partes partem para negociações formais. Agora, a expectativa é que a Bovespa contrate uma instituição financeira para realizar um parecer.

Essa avaliação, comum em negociações dessa natureza, tem como um dos objetivos fazer com que o conselho de administração se sinta confortável em decidir favoravelmente ou não à realização de determinada transação ou ainda emitir um pronunciamento recomendando determinado curso de ação aos acionistas. Com isso, as discussões devem prosseguir até um acordo sobre o preço, conforme fontes de mercado. Se isso ocorrer, a Bolsa poderá fazer uma oferta vinculante.

Os bancos contratados pela Cetip podem, em paralelo, buscar alternativas, como outros interessados na companhia. A ICE, que possui 12% da depositária, na posição de maior acionista, seria o interessado mais óbvio, mas o Broadcast apurou que a bolsa americana não tem essa pretensão, visto os últimos desembolsos realizados em aquisições.

Para se concretizar, além do aval dos conselhos e dos acionistas, uma fusão entre BM&FBovespa e Cetip precisará ser autorizada pelos reguladores, como Cade, CVM e BC.

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