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Champanhe com sotaque brasileiro

Vinícola gaúcha cruza o Atlântico para produzir a bebida símbolo da França

CÁTIA LUZ, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2012 | 03h06

A primeira semana de maio será tempo de festa na Vinícola Geisse, do enólogo Mario Geisse, na região de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha. Geisse receberá em casa o francês Philippe Dumont para abrir a primeira garrafa do legítimo champanhe que fizeram a quatro mãos. Só os espumantes produzidos na região francesa de Champagne podem levar esse nome.

Herdeiro de uma família que produz a bebida há mais de 300 anos, Dumont convidou Geisse para, a partir dos conhecimentos que o enólogo chileno forjou no Brasil, elaborar um champanhe na Região de Reims, onde fica a propriedade da família. "Foi uma forma de trocar experiências. Ele, com uma história centenária na produção de champanhe e eu, representante da primeira geração de espumantes no Brasil", explica Geisse.

O Champagne Geisse & Dumont foi elaborado com uvas de vinhedos classificados como Premier Cru, designação concedida em função da alta qualidade e da localização das vinhas. Dos 200 vilarejos de Champagne, 43 têm denominação premier cru e apenas 17 levam o selo grand cru, de qualidade ainda superior. As 1,5 mil garrafas da primeira safra do Geisse & Dumont devem chegar ao mercado em junho, por cerca de R$ 240 cada.

O encontro entre as duas famílias aconteceu quando Dumont, após experimentar o espumante Cave Geisse em uma feira, decidiu conhecer como a bebida era fabricada no Brasil. "Desde então, nos encontramos diversas vezes e nos tornamos amigos", diz Geisse.

A vinícola brasileira virou referência em espumante no novo mundo. O Cave Geisse foi servido, por exemplo, no jantar de recepção oferecido pelos empresários brasileiros ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua visita ao País, em 2011. Está também na carta do famoso hotel Savoy, considerado o melhor de Londres.

Os espumantes da vinícola custam de R$ 48 a R$ 120 a garrafa. Mas há casos como o Cave Geisse 98, de R$ 600. Com uma produção de 300 mil garrafas e faturamento de R$ 7 milhões, a empresa não tem planos de crescer em volume no País. "Temos um compromisso com o terroir (área determinada conforme as especificidades do solo), que garante as características que definimos para os espumantes", explica Daniel Geisse, diretor comercial da vinícola e um dos quatro filhos de Mario. "Há dois anos plantamos os últimos vinhedos nessa demarcação. Não há como aumentar a produção."

A área foi escolhida por Mario Geisse nos anos 70, quando veio para o País comandar a Moët & Chandon do Brasil. Logo nos primeiros anos, ao perceber o potencial da região, começou a investigar o melhor local para plantar seus vinhedos e criar sua vinícola, em 1979.

Além dos espumantes no Brasil, Geisse tem um projeto que chama de "El Sueño": produzir o que há de melhor em cada parte do mundo. Ele fabrica, por exemplo, pequenas quantidades de uvas Carmenère no Chile e de Malbec na Argentina. "Para cada terroir, um projeto", define. A ideia é transformar a vinícola em uma butique - onde o champanhe acaba de ganhar destaque.

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