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Chance de inflação estourar teto da meta sobe para 46%, diz BC

Segundo o Relatório de Inflação, projeção para o IPCA aumentou para 6,4%, enquanto o teto da meta é de 6,5%; BC também espera crescimento do PIB menor em 2014

Adriana Fernandes, Victor Martins, Eduardo Rodrigues e Laís Alegretti, Agência Estado

26 de junho de 2014 | 08h30

BRASÍLIA - Pelos dados do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado pelo Banco Central, aumentou a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2014. No cenário de referência utilizado pelo BC, as chances de o IPCA ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta subiu de 38% para 46%. 

Para 2015, essa probabilidade passou de 27% para 30%. No cenário de mercado, o visto por analistas, a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2014 também subiu: de 40% para 48%. Para 2015, também apresentou avanço, de 29% para 38%. 

A presidente Dilma Rousseff vai entregar ao final de 2014 uma inflação ainda pior que a registrada no ano passado. A projeção de IPCA de 2014 passou de 6,1% em março, para 6,4% nesta nova projeção, tanto no cenário de referência como no de mercado. A nova estimativa coloca a inflação deste ano muito próxima do estouro da meta de inflação, que tolera uma taxa de até 6,5%. 

No ano passado, o IPCA fechou em 5,91%. No primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a taxa foi de 6,50, no segundo, de 5,84%. Ao longo de 2013, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeram, em várias ocasiões, uma inflação menor em 2013 do que em 2012. No entanto, a expectativa das duas autoridades não se confirmou. A queda da inflação este ano também foi uma promessa da presidente Dilma. 

A estimativa do IPCA para o final deste ano está muito distante do centro da meta de inflação estabelecida pelo próprio governo, de 4,5%. Para o IPCA acumulado em 12 meses no primeiro ano do próximo governo, em 2015, o BC também elevou sua projeção, de 5,5% para 5,7% . Para o primeiro trimestre de 2016, o BC manteve uma estimativa de inflação de 5,4%. Para o segundo trimestre de 2016, a projeção da autoridade monetária no cenário de referência é de 5,1%. 

PIB. Em meio a expectativas por medidas de estímulo à atividade industrial, o Banco Central rebaixou severamente sua projeção para o crescimento do PIB da indústria em 2014. Para a autoridade monetária, o produto da indústria brasileira deve ter uma retração de 0,4% em 2014, ante uma projeção anterior de crescimento de 1,5%. Em 12 meses até o primeiro trimestre de 2015, a indústria deve crescer apenas 0,1%.

O documento divulgado hoje trouxe previsões mais pessimistas para todos os setores da economia em 2014. Para o BC, o setor agropecuário vai crescer 2,8% em 2014, ante 3,5% na estimativa anterior. O setor de serviços, de acordo com o relatório, deve ter uma expansão de 2%. No documento de março, o BC contava com uma alta de 2,2% para esse setor.

Apesar das medidas de estímulo aos investimentos lançadas durante todo o governo Dilma Rousseff, o Banco Central também acusou um recuo significativo das expectativas para a evolução da capacidade produtiva no País. Para o BC, formação bruta de capital fixo deve recuar 2,4% em 2014, ante uma projeção anterior de crescimento de 1%. Já a estimativa de crescimento do consumo das famílias foi mantida em 2%, bem como a previsão de aumento de 2,1% do consumo do governo.

Em linha com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou preocupação com o baixo crescimento da economia brasileira em 2014, o Banco Central previu uma desaceleração das previsões de crescimento de todos os setores da economia em 2014. Pelos novas projeções do BC, o PIB da agricultura vai despencar de 7% em 2013 para 2,8% este ano. Já o PIB da indústria cairá de uma alta de 1,3% para uma queda de 0,4% . O setor de serviços terá um crescimento de 2%, se mantendo estável em relação a 2013, mas com recuo ante a projeção anterior, que era de alta de 2,2%.

O relatório também mudou a avaliação sobre o crescimento, como já estava indicado na última ata do Copom. A avaliação muda de "gradual recuperação" para um ritmo de expansão da atividade "menos intenso" este ano em comparação a 2013. O BC segue avaliando que mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. "Nesse contexto, considerando a variação em doze meses, nota que as taxas de expansão da absorção interna têm sido maiores do que as do PIB, mas estão convergindo", destaca o relatório trimestral. 

O relatório também dá destaque ao fato de que o consumo tende a continuar em expansão em ritmo mais moderado do que observado em anos recentes e que os investimentos tendem a ganhar impulso. O BC avalia ainda que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária; ao mesmo tempo em que o setor de serviços tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes.

Dólar. O Banco Central usou uma cotação do dólar de R$ 2,25 no Relatório Trimestral de Inflação, valor menor que o usado no documento anterior, de R$ 2,35. A taxa Selic utilizada foi de 11% ao ano. O valor do câmbio está acima daquele apontado na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), no qual o cenário de referência levou em consideração uma taxa de câmbio de R$ 2,20, além de taxa Selic de 11% ao ano. 

No relatório de inflação anterior, divulgado em março, a cotação utilizada foi de R$ 2,35 e taxa de juros de 10,75%. A nova cotação, incluída hoje no relatório trimestral de inflação, tem como data de corte 6 de junho de 2014. O valor é próximo ao do fechamento do dia de corte. Em 6 de junho, o dólar à vista no balcão fechou cotado a R$ 2,2480. 

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