Chanceler argentino não menciona conflito comercial

O ministro de Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, esquivou-se de mencionar o recente conflito comercial aberto entre seu país e o Brasil em seu discurso de abertura da reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), a instância de decisões do Mercosul da qual fazem parte os chanceleres dos quatro países. Bielsa declarou apenas que, no Mercosul, o bem comum deve prevalecer sobre os interesses setoriais.Do lado brasileiro, estava presente à reunião o embaixador Luiz Filipe Macedo Soares, subsecretário-geral de Assuntos de América do Sul do Itamaraty. O secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que substituiria o chanceler Celso Amorim, não havia ainda desembarcado em Puerto Iguazú por causa das más condições de tempo.Da reunião do CMC, deverá sair o documento final que será assinado pelos presidentes dos quatro países amanhã. Resultado das negociações que transcorreram desde janeiro, sob a presidência temporária da Argentina, o texto deverá apontar o atraso no cumprimento do Programa de Trabalho Mercosul 2004-2006, uma agenda de questões pontuais cujo objetivo seria consolidar o processo de integração regional.O chanceler argentino também não tratou das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) ao mencionar, em seu discurso, a agenda de acordos que devem ser a prioridade do Mercosul até dezembro deste ano. Em princípio, o acordo geral da Alca deveria ser completado até 31 de dezembro deste ano. Bielsa preferiu enfatizar a "ambição" do bloco em concluir seu acordo de livre comércio com a União Européia, cujas negociações estão mergulhadas em um cenário de pessimismo.Ele mencionou ainda a possibilidade de conclusão de acordos de preferências tarifárias fixas com a Índia e a África do Sul e o interesse da China, da Coréia e de Cingapura em "estreitar os laços comerciais" com o Mercosul. Para Bielsa, o bloco está promovendo uma "nova cultura de integração", voltada às relações que vão além de seu entorno. Todas essas negociações serão lideradas, neste semestre, pelo Brasil, que assume a partir de amanhã a presidência temporária do Mercosul, até o início de dezembro.RequisitosO chanceler argentino afirmou que os países que pretendem considerar-se associados ao Mercosul deverão cumprir com dois requisitos básicos. O primeiro é a celebração de um acordo de livre comércio com o bloco. O segundo é a adesão ao Protocolo de Ushuaia, de 1998, que instituiu a Cláusula Democrática do Mercosul. Um terceiro requisito não-obrigatório será a adesão aos acordos do Mercosul relacionados às questões de emprego e de educação.Dessa forma, com a vigência do acordo de liberalização comercial entre o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN), seus membros deverão assinar os dois documentos para serem considerados associados ao bloco. Essa norma valerá para os próximos acordos em negociação. Conforme lembrou Macedo Soares, a Venezuela, que faz parte da CAN, seria um dos países interessados em firmar o documento. O México é outro país que vem demonstrando interesse em tornar-se um membro associado.

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