Chanceler boliviano só fala depois de quatro abordagens

David Choquehuanca, em um primeiro momento, se esquivou de perguntas sobre a relação entre Bolívia e Brasil

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2016 | 23h49

GENEBRA - O chanceler David Choquehuanca acompanhou a visita oficial do presidente da Bolívia, Evo Morales, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. As declarações do chefe da diplomacia, porém, ocorreram apenas depois que a imprensa brasileira tentou em três ocasiões.

Na primeira, Choquehuanca deu a entender que não entendia a pergunta. Questionado se La Paz reconhecia o governo Temer diante de “confusões” sobre os sinais dados pelos bolivianos, ele se manteve em silêncio. Logo depois, respondeu: “Confusão para quem?”, sem esclarecer.

Na segunda tentativa, o chanceler simplesmente se manteve em silêncio e continuou caminhando. Um membro de sua delegação apenas comentou: “Viva Pelé”, arrancando um sorriso do chanceler.

Na terceira tentativa, ele alegou que precisava ir ao banheiro. Mas, na quarta vez que foi abordado, finalmente se explicou. Nesta sexta-feira, Morales também cancelou uma coletiva de imprensa que havia agendado e se recusou a falar com a imprensa, alegando “falta de tempo”. Para a imprensa brasileira, o presidente boliviano sugeriu: “Peçam uma entrevista.”

Ausência. Se a Bolívia não quer romper com o Brasil, o Itamaraty não enviou a embaixadora do País na ONU para presenciar o discurso de Evo Morales. Nesta sexta-feira, ele pronunciou um discurso de 45 minutos diante do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Numa sala lotada, Morales foi aplaudido de pé por algumas delegações e repleta de embaixadores. No caso do Brasil, a delegação foi representada apenas por dois diplomatas brasileiros, de escalão inferior. A embaixadora do Brasil na ONU, Regina Dunlop, não esteve presente. Contactada por telefone e mensagem, ela não respondeu.

Numa outra reunião também na ONU organizada por Morales, o Brasil não foi convidado e o presidente boliviano explicou seus projetos apenas a “países amigos”.

Na semana passada, o Itamaraty tampouco esteve presente na reunião do Movimento dos Países Não Alinhados, numa cúpula organizada em Caracas e que marcou a posse de Nicolas Maduro como presidente do grupo. O Brasil é membro observador. Mas a única participação foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, numa mensagem de vídeo, demonstrou seu apoio a Maduro.

Durante seu discurso, Morales não citou a divisão entre grupos dentro do continente ou a crise brasileira. 

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