Chanceler uruguaio diz que Brasil não ´defende Mercosul´

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, criticou a "falta de esforço" do Brasil e da Venezuela para "defender o Mercosul" na disputa entre seu país e a Argentina.Uruguai e Argentina, dois sócios do bloco, enfrentam há mais de um ano diferenças devido à construção de uma fábrica de celulose às margens do rio Uruguai, que delimita suas fronteiras. Na visão do chanceler, a falta de intervenção dos demais sócios do Mercosul em favor do Uruguai na disputa prejudica a integração do bloco."Nós acreditamos que, no Brasil, (os governantes) estão intimamente convencidos de que a não-ação (do governo) da Argentina (para tentar acabar com protestos nas estradas de acesso ao país vizinho) é prejudicial ao Mercosul", disse. "Brasil e Venezuela deveriam defender o Uruguai contra os bloqueios de trânsito realizados pelos argentinos. Ao fazer isso, estariam defendendo o Mercosul e um de seus principais artigos, que é o direito de ir e vir dentro do bloco."Segundo o ministro, dos sócios do Mercosul, apenas o Paraguai condenou a ação argentina.Estados UnidosGargano falou à BBC Brasil três dias depois de o Tribunal Internacional de Haia ter derrubado, por 14 votos a um, pedido do governo uruguaio para tentar suspender as manifestações que bloqueiam o trânsito às suas estradas.Manifestantes argentinos bloquearam as estradas que ligam os dois países em protesto contra a instalação de uma indústria de finlandesa de celulose no Uruguai. Segundo eles, a construção da fábrica viola um tratado assinado pelos dois países de gestão do rio Uruguai, na fronteira.O chanceler disse ainda que a assinatura, na semana passada, do acordo de comércio e investimentos com os Estados Unidos (TIFA, na sigla em inglês) não significa que a relação entre os países vá evoluir para um Tratado de Livre Comércio (TLC). A assinatura de um TLC obrigaria o Uruguai a deixar o bloco do Conesul."O Mercosul é mais importante, mas tem que melhorar", afirmou, por telefone, de seu gabinete em Montevidéu. "Esse acordo com os Estados Unidos não prejudica a integração no Mercosul", disse.Segundo Gargano, os acordos preferenciais de seu país, seja com China, Rússia, México ou Estados Unidos, são para "melhorar a inserção internacional" do Uruguai. "Essa é a decisão do presidente Tabaré Vázquez. Seguir no Mercosul e não assinar TLC com os Estados Unidos." Segundo alguns analistas do Mercosul, o TIFA poderia ser um passo prévio à negociação de um TLC com o governo americano, fato que obrigaria o Uruguai a sair do bloco. Mas Gargarno, que representa um setor político do governo, garante que o objetivo é aumentar o volume de comércio de seu país e que, ao mesmo tempo, o Mercosul seja fortalecido. Para ele, o bloco ideal deveria incluir Bolívia e Equador como sócios plenos, área de livre comércio, livre circulação de bens e obras de infra-estrutura.

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